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Wednesday, September 01, 2010

Beth - Comida caseira de verdade, mas a preços paulistas

Começo fazendo um disclaimer que não fiquei, de uma hora para outra, menos crítico, mas apenas que estou revisitando os meus restaurantes favoritos desses tempos sem blog, esses sempre foram a razão que eu escrevi por aqui, são as boas refeições que me inspiram para escrever.

Essa semana eu fui a um almoço despretensioso de terça-feira no Itaim em São Paulo. Quando isso acontece, não me resta dúvidas em relação a qual restaurante ir, Beth Cozinha de Estar. Em uma pequena casa, no bairro nobre do Itaim, este é um restaurante que possivelmente partiu de um sonho de uma cozinheira de mão cheia, de servir uma comida caseira e saudável para os empresários e funcionários do bairro, no entanto, a qualidade e a consistência de sua comida são tão espetaculares que virarão quase que um culto a comida caseira.

Não me parece que há a pretensão de seguir uma tendência de “Confort Food”, como o Mian Mian faz no Rio, mas simplesmente fazer comida bem feira, com ingrediente de primeira. A casinha que já dobrou de tamanho e triplicou de preços, para que a demanda diminuísse e qualidade não caísse, é simples tem uma decoração branca, com painéis de fotos de saladas, serviço ágil e atrás do balcão sempre a Beth ou sua neta, dando saborosas explicações do que estamos prestes a comer.

O menu muda muito, mas é sempre bom. Há lá um dos melhores picadinhos que já comi, mas nunca mais dei sorte de achar no Buffet, que sempre começa com uma vistosa salada verde, ou uma leitura da grega, que vc pode salpicar uma deliciosa granola salgada. Desta fez também tínhamos a opção de um tabule que estava delicioso, sequinho e com os tomates crocantes. Além disso, comi uma deliciosa berinjela assada, com uma fina fatia de tomate e queijo mozarela, coberto com uma leve farofa de pão puxada na manteiga, as texturas cremosas dos legumes e queijos, contrastavam com a farofa, que quase dissolvia na boca.

O filezinho de peixe a milanesa me lembrou o que sempre comi na minha casa na Bahia. Peixe branquinho e fresco, com uma capinha, seca que quase q descola da carne. Havia ainda a opção de um strogonoff de frango, com batatas palhas feitas lá mesmo, crocantes e douradas. Por fim, eu provei o Kafta, quase pequenos hamburgers, ainda úmido por dentro, com um leve molho de Iogurte e hortelã, que acompanhava um arroz de lentinha e cebolas douradas, de fazer inveja a qualquer árabe. Mas na verdade não há como sair de lá sem comer o feijão mulatinho, que tem um caldo espesso e cremoso quase, com gosto de abraço de avó.

Sem dúvidas vc acaba comendo mais que vc gostaria, dado que tudo tem uma aparência deliciosa e de fato tudo é, portanto chegar a sobremesa é uma tarefa que quase nunca atinjo. Se vc tiver coragem pode pedir um dos deliciosos picolés Dilleto, ou um brigadeiro de colher – há coisa mais casa de vó do que brigadeiro de sobremesa? Eu normalmente acabou pedindo um café e me satisfazendo com um pequeno cubo de bolo de cenoura, que o acompanha.

As filas lá são um testemunho da qualidade da comida da Beth, seus clientes são fiéis a comida saudável. O preço de R$ 50 reais pelo almoço, parece abusivo, mas pela qualidade da comida, ouso a dizer que não é, com o antigo preço de R$ 32 as filas eram intermináveis e qualidade acabava sendo comprometida, esse foi o equilíbrio de mercado. A razão do sucesso em uma cidade como SP, só pode ser a busca por algo que nos lembre de onde nós somos, em um mar de restaurantes franceses, italianos e japoneses, a única coisa que não havia no Itaim era um caseiro, de qualidade.

Beth Cozinha de Estar
Rua Pedroso Alvarenga, 1061
Tel 11 - 3073-0354

Monday, August 16, 2010

Marcel - Comida espetacular e desambientada

São Paulo nunca deixa de me impressionar, muitas vezes porque projetos incríveis aparecem como o Kaa que o ambiente é espetacular e milhões são investidos, mas a comida deixa a desejar. Este final de semana, me deparei com a situação exatamente oposta, comi em um restaurante que me fez suspirar e querer mais, apesar dos 8 pratos, mas o ambiente era completamente desconectado da comida. O Marcel fica em um hotel desses meio baratos, no Jardins, que tem um público meio misturado de nordestinos de meia idade e pessoas do interior do estado. O público do restaurante é parcialmente dominado pelos hóspedes e por amantes dos tradicionais suflês que são o antigo carro chefe de casa. No entanto, nada disso tem a ver com o desfile de pratos que o menu degustação oferece.

Ao chegar o atendimento é um pouco confuso, mas uma vez q eu fiz a escolha pelo menu degustação o Chef Rafael Despirite passa a controlar com precisão cirúrgica o timming dos pratos que vem como um balé a mesa, seguido de uma envergonha explicação sobre o que está diante de nós, dada pelo próprio chef. Para começar um incrível Foie Gras selado com uvas congeladas com cachaça, a brincadeira de texturas e temperaturas é um sucesso retumbante, deixando a melosidade do Foie Gras ser balanceada pela notas agudas da uva e cachaça. O segundo prato um carpacio com molho defumado é uma surpresa engraçada, dado que as texturas são de carne crua enquanto o sabor lembra uma carne longamente defumada.

Para o terceiro prato o chef trouxe para mim o grande destaque da noite: um camarão em ponto de cocção perfeito, com uma textura tão leve, com molho de açafrão e um tagliatele feito de finas fatias de cenoura que estava al dente. Passamos para um peixe (dourado?) que era assado inteiro e depois cortado em pequenos quadrados, servido sobre uma maionese que usava como gordura os sucos do próprio peixe e algumas ervas do jardim do chef, como jambú fresco. O prato talvez tenha sido o que menos se destacou para mim, a maionese era muito leve e saborosa, e balanceava bem o peixe q estava um pouco “peixoso” de mais para meu paladar.

De um chef muito orgulhoso recebemos um suflê de gruyere, receita do avô que explica porque o restaurante é conhecido por esse prato, estava na textura ideal com o sabor pujante do queijo, mas a leveza do suflê. Após isso, ainda havia espaço para uma deliciosa costeleta de cordeiro, mais uma vez, no ponto certo, acompanhada de um purê de batata doce frio e um azeite com tapenade. Um prato simples, mas tão bem executado que mereceu ser devorado. Ainda havia espaço para mais, a surpresa para os olhos eram os fios d´ovos, mas ao colocar na boca uma deliciosa sorbet de manga. Segundo o chef, ele simplesmente congela a manga e passa por um ralador, a simplicidade que leva a surpresa.

Ainda comemos um queijo parmesão com redução de balsâmico, que foi seguido finalmente por um suflê de cupuaçu e sorvete de creme. O suflê estava delicado como o a fruta é, com um sabor sutil que ela completado pelo sorvete. O jantar foi sem dúvidas uma grande surpresa, não só pela idade do chef, mas principalmente porque tive a clara sensação que ele está no restaurante errado, tanto do ponto de vista do serviço, quanto do ambiente. Mas para quem gosta de boa comida, pelo preço cobrado, esta é uma experiência imperdível em São Paulo.

Marcel
Rua da Consolação 3555
São Paulo
Tel – 11- 3064-3089

3***
$$$$

Wednesday, August 11, 2010

Bottagallo - Para fazer a Nonna suspirar

Ao longo dos últimos meses fui algumas vezes ao novo empreendimento da Turma do Braz, o Bottagallo, uma casa de “tapas” italianas que faz qualquer nonna suspirar. O restaurante tem alguns componentes incríveis: serviço rápido, chopp espetacular e o mais importante comida de primeira. Eu tenho certeza que não sou o único a achar isso, uma vez que as filas beira o intolerável, chegar depois das 21:00 torna o programa um tanto menos agradável.

O menu é dividido em seções sendo que as últimas que são macarronadas e carnes eu nunca cheguei perto. Sempre fico nas pequenas porções para dividir, que acredito que é onde está o forte da casa. Para começar, sem dúvidas recomendo a Scarpetta uma simples tigela de molho de tomate, a minha preferida ainda vem incrementada com uma calabresa rústica. O molho é profundo e aveludado, pouco acido e com uma textura incrível. Este vem acompanhado de dois tipos de pães que podia vir mais quentinhos, mas na casa dos italianos o pão também é servido assim, portanto, acho perdoável.

Sempre peço um plim no quardanado, uma massa simples e recheada com uma carne que tem o gosto de um longo cozimento, a massa é sequinha, servida em um guardanapo, perfeito para uma mesa grande e uma boa taça de vinho. Além disso, o Ovo Guido é sempre uma boa pedida, um ovo com cozimento lento que tem uma leve gema sobre um molho de trufado q está longe de ser enjoativo como nos outros lugares, para completar, uma deliciosa torrada super crocante, que brinca com a textura do ovo.

O meu prato favorito é o Gnocchi Dourado, que é o melhor que já comi. A massa excepcionalmente leve, com um gostinho distante de manteiga queimada, acompanha uma ricota fresca, rúcula e cubos de tomate. O contraste frio da salada com o morno gnocchi é espetacular. O ponto alto sem dúvida é a massa que me faz sempre comer mais do que deveria. O outro destaque é a costelinha de porco que solta do osso com facilidade e tem um sabor super intenso. Já provei vários outros pratos, sendo a Lula o único q eu não recomendaria, com um molho muito ácido e o molusco um pouco cozido em excesso, essa foi a minha única decepção.

Por fim, a panacota é outro primor, leve e saborosa é o ponto final perfeito para uma refeição lá. O serviço é estilo Braz, rápido e informal, entrega sem encantar a não ser pela agilidade. As sugestões dos garçons nunca são os meus preferidos e simplesmente desisti de escutar eles. Por fim, o ambiente é muito gostoso, bem informal com talhes em copos e muita madeira, fazendo com que fique bem aconchegante. Os preços não são exatamente baratos, mas vale pela qualidade da comida.

Bottagallo
R. Jesuino Arruda, 520
Itaim Bibi
Tel - 11-3078-2858

3***
$$$

Monday, September 21, 2009

Ping Pong - gostinho de China cool chega em São Paulo

Quando estava de malas prontas para a China só pensava em o que iria comer, havia ouvido de várias pessoas que a comida era horrível e que não gostaria. No entanto, me lembrava com boas recordações de várias refeições em restaurantes chineses espalhados pelo mundo. Em Londres eu aprendi a delícia que pode ser uma refeição inteira de Dim Sums, que se aproxima de um guioza esteticamente, mas é completamente diferente na prática. Existe uma série de tipos, inclusive o rolinho primavera é um desses.

Em Londres eu fui iniciado ao hábito e acabei conhecendo a rede de restaurantes especializados nessa delícias, a Ping Pong. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que logo ali no Itaim, em frente a Cebicheria La Mar (assunto para outro post), havia aberto uma filial da mesma cadeia. O local me remeteu a Londres, com uma decoração super bonita e igualzinha a das filiais britânicas, mesas redondas comunitárias com bancos baixos, ou mesas de bar com badeiras mais altas, tudo preto, com uma parede de plantas – a versão pobrinha do Káa – no final do salão.

O cardápio está com os nomes ainda em inglês, mas com as explicações em português, divido em categorias entre os fritos, feitos no vapor, puffs (pão chinês recheado feito no vapor) e outras especialidades, bem didático para o público não acostumado. Cada pedido ver com 3 dim dums, então em uma mesa grande o ideal é pedir uma série de coisas para que se possa experimentar todos os sabores.

Pedimos algumas coisas, um delicioso rolinho harumaki de pato, com molho agridoce, que estava super crocante, com pouca gordura e com o gosto do pato marcante. Um ultra crocante de camarão, com macarrão frito por fora, dando uma aparência de ouriço. Pedimos um puff de vegetais, que achei um pouco massudo de mais, em comparação com os que já tinha experimentado, mas os vegetais que estava dentro eram deliciosos, talvez um pouco mais de recheio para balancear resolvesse parte do problema. Os dim sums no vapor que são os mais difíceis de executar foram os que mais deixaram a desejar. Normalmente é uma massa super delicada com uma explosão de sucos na primeira mordida, e por isso são pequenos e delicados. Os de lá eram tinham a massa um pouco grossa de mais, e sem os sucos que tornam a experiência tão mágica, o sabor estava bom, com um tempero leve.

Para sobremesa pedimos uma mousse de pistache, que estava bastante honesta. O serviço foi esforçado e simpático que é tudo que se pode pedir de um soft opening. Eu voltarei por vários motivos, mas principalmente a saudade de uma refeição só de Dim Sums.

Ping Pong
Rua Lopes Neto, 15, São Paulo
Tel. (11) 3078-5808

3***
$$$

Friday, September 18, 2009

L´Entrecôte - Paraíso dos indecisos, mas quase só deles!

Em São Paulo há um mês a traz houve um burburinho em torno da abertura do L´ Entrecôte, novo restaurante do Olivier Anquier, um ex chef televisivo, o barulho era menos pela sua fama, que pelo estilo do restaurante. Se você for uma pessoa indecisa este é o restaurante certo, só há uma opção, um entrecôte (contra filé?) com o molho da Tia dele e batatas fritas, apenas isso.

Para entrada uma salada verde com um delicioso molho vinagrete típico francês com um toque distante de mostarda, com amêndoas picadas por cima. Sem dúvidas de uma simplicidade ímpar, mas muito bem executado, o molho estava uma delícia e dava vontade de passar o pão para aproveitar o restinho.

O prato principal veio no ponto que eu havia pedido e a minha carne estava macia, já ouvi relatos menos elogiosos sobre a carne, o molho era realmente saboroso. Mais uma vez a mostarda aparecia, mas havia ali sucos da carne que complementavam com profundidade, encorpando sem maisena, simples e gostoso. A batata frita é sequinha e gostosa, esta é supostamente servida ao longo da refeição. Acredito que como estava no horário de pico houve alguma falha, pois faltou batata frita na minha mesa, em um restaurante que se propõe a ter uma proposta tão simples, não há espaço para erros.

A decoração do local é muito simpática, típica de bistrôs no Brasil, cadeiras levemente desconfortáveis de madeira, nesse caso vermelha, ladrilhos nas paredes e toalhas brancas. O salão é lotado de garçons mas infelizmente isso me faz lembrar que não estamos na França, onde há 5 vezes menos garçons e 10 vezes mais eficiência. Como experiência até que vale, até porque não é nada caro, mas infelizmente, está longe de ser um delírio gastronômico.

L´Entrecôte de Ma Tante
Rua Doutor Mário Ferraz, 17
São Paulo
Tel - 11 3034-5324

2**
$$

Tuesday, February 17, 2009

Arturito - Comida marcante em ambiente estranho.

Tem alguns restaurantes que causam polemicas sendo o Arturito um dos que mais causou na blogosfera recente. Em um posto do ótimo Que bicho me mordeu, ele foi considerado confuso entre querer ser fashion week e comida sólida, não por menos a chef os convidou para uma visita a cozinha. Vale a pena ler a polemica por lá. Depois de tanta confusão eu decidi que eu tinha que ir conferir. O restaurante é da chef Argentina Paola, que já passou pelo Dona Júlia (que fui semana passada e adorei) e do Figueira Rubayat.

O restaurante é meio escondido em uma pequena casa, com decoração bem moderna! A iluminação é bem baixa e em seu corredor comprido o resturante parece de fato, uma passarela de desfile. O bar imponente completa a decoração moderna, além disso, um pedaço do restaurante tem um teto retrátil que deve ser agradável em noites estreladas. A decoração de alguma forma é toda muito escura. Logo na entrada pães com jeito de caseiros, uma cremosa manteiga salgadinha e um pratinho de azeite com alecrim e parmegiano ralado. Os pães não eram nada de especial, mas cumpriam bem seu papel.

Depois de sofrer um pouco para achar um vinho com preço justo na carta que me pareceu levemente over priced, partimos para a escolha dos principais. Eu fiquei com o ojo de bifé curado e purê de batatas Robuchon,  a carne era bem diferente do que estamos acostumados, mas não menos saborosa. Com uma crosta bem sequinha, e levemente adocicada devido ao processo de curagem, o miolo é um belíssimo ojo de bife, no ponto certo, rosado e macio. Esse contraste de texturas é realmente muito bom, me lebrou um pouco uma carne do sol muito bem feita. O purê de batatas que vinha em uma panelinha separada era muito macio, mas de consitência firme, mais uma vez aqui com um sabor mais leve, mais creme de leite ou manteiga e menos batata, estava sensacional. Na mesa ainda pedimos um Spagetini de frutos do mar que foi elogiado,além de um fagoto (grão de trigo) cozido como risoto com aboroas grelhadas que estava uma delícia.

Para a sobremesa profiteroles que estavam muito bons, aerados, leves e simples. O serviço era muito atencioso e sugestivo, dando atenção na dose certa durante toda a noite. Imagino que em noites mais movimentadas a experiência possa ser diferente, pois nesta noite estava bem vazio. No final das contas, a conta foi um pouco mais cara que eu imaginava, mas sempre tenho que me lembrar que estamos em São Paulo.

Arturito
R. Arthur de Azevdo, 542
Pinheiros – São Paulo
Tel – 11 – 3063 – 4951

3***
$$$$

Thursday, February 12, 2009

Kaá - Sabor, ambiente... mas o serviço!

Tem poucas cidades do mundo que comportam investimentos milionários em restaurantes, com certeza São Paulo está entre uma delas. Ao entrar no Kaá logo pensei: “Isso no Rio durava 6 meses, em Salvador nem abria”. O restaurante fica em uma discreta casa, com uma porta mais discreta ainda na movimentada Juscelino Kubicheck, de fora pensei mas que confusão que deve ser isso aí dentro, mas ao entrar me deparei com um oásis em São Paulo. Um enorme galpão de pé direito elevadíssimo, com um espelho d´agua enorme na entrada. Mas a estrela da decoração é a parede lateral direita que é inteiramente coberta por plantas, não eras ou coisas assim, plantas mesmo. O efeito é incrível uma sensação de aconchego e frescor que não posso imaginar uma decoração não verde possa dar, também não parei de pensar como eles molham aquelas plantas?

No meio do salão havia um bar e ao fundo a cozinha com janelões de vidro para vermos a movimentação. Depois de tanta descrição da decoração a pergunta natural é se a comida estava a altura e posso dizer que sim. Fomos sentados em uma mesa do lado oposto da parede verde e perto da cozinha, o atendimento me parecia um pouco apressado, imagino que a pressão para sentar todas as pessoas da fila era grande. No entanto, na hora da sobresas houve demora de mais de 30m minutos para um petit gateau, com certeza o serviço está muito aquém do ambiente.

Um dos sócios é o Paulo Barros, o famoso chef do Due Cuocchi (eu preciso voltar lá urgente para escrever aqui), mas o chef é um espanhol que fica sempre na cozinha.  Pedimos um prato de antepasto para acompanhar a cestinha de pães que estava uma delícia. Clássicos italianos, bem executados, pimentões marinados, mussarela de búfala com pesto leve, proscciuto bem cortado.

Meu prato foi uma costeleta de cordeiro com um spaguetini com manteiga e sálvia – absolutamente adoro essa cominação de manteiga e sálvia – a carne estava praticamente perfeita, tostadinha por fora e levemente rosada por dentro, sem aquele ranço que cordeiro tem em alguns lugares. A carne era simplesmente grelhada e macia, com um sabor aveludado, fazia um ótimo contraste com o gosto pontiagudo da sálvia, a massa estava no ponto certo al dente.

A sobremesa não chegou como já falei e os preços eram bem a lá São Paulo. Sem dúvidas o serviço poderia ser muito melhor, mas aquela costela de cordeiro entra na minha lista de favoritos desse prato e isso não se pode negar.

Kaá
Avenida
 Juscelino Kubitscheck, 279 
Itaim  São Paulo
Tel
 - 11 3045-0043

2**
$$$$

Thursday, February 05, 2009

Tordesilhas - Pedacinhos do Brasil em São Paulo

Existem lugares que te transportam, fazem vc sentir que vc não está mais onde vc estava a 10 minutos atrás. Encontrei em São Paulo um lugar assim, o restaurante Tordesilhas te tira do meio da confusão da Avenida Paulista, e te faz sentir como se vc estivesse no Nordeste, ou quem sabe no norte! Fica em uma casinha com cara de cidade pequena – que estranhamente São Paulo tem várias – com uma decoração simples, com motivos regionais.

A comida é completamente focada nos produtos brasileiros, 100%. Tem pratos típicos sem tirar nem por, assim como os pratos que a chef, usa os ingredientes, mas faz alguma releitura. Para começar pedimos queijo coalho com melaço, estava completamente crocante e queimadinho por fora e macio por dentro, com gosto de praia. Também pedimos uma lula sob purê de banana da terra, que estava com uma textura macia envolto em um leve molho de tomates fresco e deitado sob um creme leve de banana, era cremoso e macio, mas sem o excesso de gosto de banana. Quase como uma pintura renascentista de uma mulher sob uma cama forrada de colchas de veludo.

Para principal resolvi testar uma das receitas tradicionais, pedi o pato no tucupí (olha ele aqui de novo!) com farofa de água. O pato estava cozido no ponto certo, com a carne se desfazendo e soltando do osso. O molho era mais forte que lembrava, com doses ácidas e agudas, talvez levemente amargas que balanceavam com o pato. A farofa estava um pouco dura de mais, mesmo molhando com o molho.

O resto da mesa pediu muito bem, destaque para o badejo grelhado com molho de moqueca, caruru e arroz. O badejo simples e bem feito, com o caldo da moqueca estava perfeito, um perfume sem ser dominante, me senti na Bahia. O guizado de carne seca em cubinhos com pirão de aipim estava também muito bom, pirão cremoso, leve e o guizado muito saboroso. Os pratos era enormes e poderíamos até ter dividido.  O serviço foi levemente ruim, tínhamos que chamar atenção do garçom várias vezes.  Ao sair de lá fiquei com a sensação que tinha que voltar para experimentar de novo outros pratos, existe indicação melhor?!

Tordesilhas
R. Bela Cintra, 465
São Paulo – SP
Tel -11- 3107-7444

3***
$$$

Friday, January 16, 2009

Maní - displicência e criatividade

Desde que comecei a ler mais sobre comida e gastronomia tinha ouvido muito falar de um ingrediente chamado Tucupí, que é o caldo da mandioca brava que deixa sua boca levemente dormente depois de comer. No blog da Alexandra Forbes já tinha ouvido falar que no Maní tinha um prato sensacional de peixe com tucupí e fui experimentar apesar da resistência de minhas companhias, que achavam o menu muito diferente.

O restaurante fica em uma simpática casa, simples, como uma sala principal e um jardim de inverno, além de uma parte dos fundos que tem duas grandes mesas que ficam a céu aberto e mesas na varanda. A decoração é bastante simples com cadeiras e mesas, com toalhas, brancas, paredes também brancas com estantes de livros, e um sofá para a espera, vc quase se sente em casa.

O menu é recheado de dois principais elementos: espumas e ingredientes bem brasileiros, como o Tucupí. Começamos com o couvert que inclui pães quentinhos, pizza branca e um pirulito de parmesão, além é claro de uma coalhada seca e um delicioso queijo de cabra no azeite, com pimenta rosa. De entrada pedimos um dos belisquetes (que tem várias opções, ideal para uma mesa grande de amigos), o bolinho de quinoa com geléia de tamarindo, que estava crocante e sequinho com o gosto de terra da quinoa, sem afetação, simplesmente o grão. A geléia era doce, mas nem tanto e combinava bem com o bolinho, muito bom.

Para meu prato principal fiquei com o prato eleito pelo caderno paladar como um dos melhores de 2008. Um peixe do dia – que neste era um robalo – cozido a baixa temperatura, cubinho de banana da terra, espuma de gengibre e caldo de tucupi. O peixe estava sublime, macio, molhadinho e com um gosto aveludado, a espuma tinha um gosto distante de gengibre que com o tucupi que tem um gosto de um caldo com leves notas mais agudas. Além disso, havia por cima “migalhas maní”, que era como se fosse uma farofa de pão amanteigado crocante, que completava a palheta de texturas, maciez do peixe, crocância da farofa, aerado da espuma e ternura das bananas da terra. Os sabores apesar de muitos ingredientes eram muito sutis e se balanceavam. No final, depois a boca fica levemente dormente, quase que como uma punição por ter comido uma coisa tão gostosa, a sensação é gostosa e faz a experiência ir além da comida em si.

Para sobremesa comemos o “café com leite da padoca”, uma suave mousse de café, com um sorvete de doce de leite e finíssimas torradas de pão, quase transparentes, fritas na manteiga. Mais uma vez texturas balanceadas, se eu tivesse uma crítica era ao sorvete de doce de leite, que estava fraco. A mesa ainda pediu um flan de chocolate africano 90%, em um simpático pote de geléia, charmoso e elogiado, apesar de não ser chocolate suficiente para as mulheres.

O serviço foi de altos e baixos, a hostess/maitre era incrivelmente simpática e solícita, com ótimas sugestões. As garçonetes era um pouco desatenciosas para os procedimentos naturais e foi preciso chamar atenção delas ao longo da noite algumas vezes, como para pedir para retirar os pratos e o menu de sobremesas, para mim isso é inadmissível. Apesar disso, a noite foi muito agradável com uma comida que me faz querer voltar.

Maní
Rua Joaquim Antunes, 210
São Paulo
Tel - 11 3085-4148

3***
$$$

Saturday, January 10, 2009

Parigi - Clássico, bom e caro.

São Paulo é uma cidade com tantas opções de restaurantes que as vezes você não sabe nem por onde começar, mas todos que comem em São Paulo com freqüência sabem que existem duas categorias: restuarantes para serem pagos na física e os da jurídica. Esta semana eu voltei em um clássico da segunda categoria o Parigi, mais uma experiência gastronômica típica da famílias Fasano.

O Parigi fica na movimentada Rua Amuri que tem uma coleção de restaurantes que faria inveja a qualquer cidade de médio porte. Em uma esquina com um ambiente escuro, cortinas brancas que deixam passar um pouco da luz externa e móveis pesados e escuros, fazendo uma releitura mais chic de uma brasserie. O serviço como em todos os empreendimentos da família é praticamente impecável.

O couvert que chega a mesa rapidamente é simples e delicioso uma bruschetta de tomates vermelhos suculentos e levemente doces e manjericão, sob uma torrada no ponto de crocância, que estala na sua boca contrastando com o tomate. Além disso, queijos cremes e um pão italiano que é trocado discretamente quando ele começa a ficar frio. Para entrada eu fiquei com uma salada verde e tomates, simples, com um vinagret que um toque distante do amargo do vinagre, e folhas jovens que evitam aquele talo do alface muito duro e impossível de dobrar.

Para o prato princicipal dessa vez eu optei pela pescada amarela com um molho de tomates e alcaparras que estava fresco cozido no ponto quase perfeito. O molho era uma combinação da leveza e doçura dos tomates com o gosto marcante das alcaparras, o incrível é que o resultado final não era forte de mais.

Mas o prato que eu mais gosto é a costela de vileta milanesa a lá Fasano, esta vem ainda levente presa no osso, mas já em forma de um paillard, levemente empanado, ao contrário do milanesa normal que cobre a carne toda com uma capa de milanesa, lá é uma cobertura mais leve e menos gordurosa mais ainda sequinha, a carne da vitela é leitosa e macia. Para acompanhar um risoto de açafrão, como esperado cozinhado na perfeição, cremoso mas com o gosto marcante e agudo do açafrão ao fundo, que contrasta com a melosidade da carne de forma espetacular.

Não como sobremesas na jurídica, não sei porque, mas quase que parece uma tradição em almoços de trabalho. Mas os biscoitnhos do café são tão bons que acho que as sobremesas devem ser boas. O único “problema” é o preço, que somente empresas podem pagar, acabam afastando a maioria das pessoas desse delícia clássica.

Parigi
Rua Amauri, 275
São Paulo - SP, 01448-000, Brazil
Tel - 11 3167-1575 

3***
$$$$

Wednesday, December 10, 2008

348 - Gostinho porteño em São Paulo

Já falei em outros post e acho que não tenho mais vergonha de achar isso, mesmo sendo bairrista, os argentinos fazem a melhor carne que eu conheço. O melhor churrasco de minha vida foi lá em um subúrbio de Buenos Aires, em uma casa charmosa, sem muita gente, mas com muito carinho. São Paulo, como sempre SP, tem uma série de restaurantes argentinos, acho que o melhor deles é o 348, onde fomos almoçar em um final de semana.

O restaurante fica em uma casa grande, com uma varanda enorme e é completamente aberta nessa pacata rua da Vila Nova Conceição. As mesas são simples e as mesas são de madeira pesada, quase que como os móveis de varanda de uma fazenda. O serviço é feito por jovens, alguns universitários, descolados e rápidos, talvez isso acabe tornando o serviço menos profissional que deveria, tenho a leve impressão que eles se acham melhor que os clientes endinheirados de São Paulo.

De entrada não ficamos com as tradicionais enpanadas – tradicionais pastéis de forno argentinos – que já comi outras vezes e são ótimos, optamos pela capa de costela, que é só a crostinha levemente queimada e crocante, com a maciez da costela.

Mas o que importa no final das contas é a carne, optamos por um Bife Ancho, que estava muito bom, saboroso, macio levemente tostado por fora e macio por dentro. Para acompanhar batatas fritas, que são bem caseiras e muito gostosas, sequinhas e levemente macias e uma bela salada verde. Também não podemos deixar de lembrar o delicioso molho chimichurri que sempre dá um gostinho especial para a carne.

De sobremesa uma deliciosa panqueca de doce de leite argentino escuro, lembrando as boas coisas porteñas.Não é nem de longe a melhor carne que eu já comi na minha vida, mas é muito melhor que a média. No final das contas mata uma boa saudade de Buenos Aires, além de ser um lugar agradável.

348
Rua Miguel Calfat, 348
Vila Nova Conceição – São Paulo
Tel -

3***
$$$

Tuesday, December 09, 2008

Ici Bistrô - Um experiência completamente diferente

Meu último final de semana em São Paulo foi recheado de bons momentos gastronômicos, mas o mais esperado era uma refeição no Ici Bitro, que desde que ganhou o prêmio de melhor bistrô de São Paulo tem estado na minha lista. Estava ansioso também porque iria com um parente do chef essa seria a minha primeira experiência de almoçar como conhecido de um chef de primeira. Explico isso, porque tenho certeza que a minha experiência foi completamente diferente do que teria sido em circunstâncias normais, mas acho que vale compartilhar com vocês que gostam de comida.

O Ici fica em uma charmosa casinha em Higienópolis que era para mim o bairro do Jardim de Nápole, acho que estou mudando de opinião depois desse almoço, lá vc tem a definição de bistrô completa, comida clássica francesa, mesas pequenas e decoração displicentemente pensada. Ficamos em uma mesa redonda, grande que torna a conversa tão mais agradável. Iniciamos com um festival de entradas que o Chef Beni Novak nos mandou. Os pães judaicos que são feitos de massa de batata baroa e cebola estava sensacional aerado e com um leve gosto de cebola, me lembrou um croissant sem o excesso de manteiga.

Comemos uma terrine, clássica e bem feita com torradinhas crocantes. Canapés de steak tartare que estava divino, cremoso e salgadinho, com a crocancia das torradas estavam muito bons. Logo depois chegaram rãs que vinham levemente empanadas, sequinhas, e molhadinhas por dentro, sob uma cama de tomate e manjericão leves, sem dúvidas a melhor que eu já comi.

No prato principal eu optei pelo Magret de pato, com figo assada e um molho de albufera, que eh de manteiga de foie gras, o molho me lembrava uma seda de tão suave e cremoso que era, com um toque de profundidade que apenas o foie gras pode proporcionar.  A receita é antiga, segundo o nosso chef com mais de 100 anos, nunca tinha experimentado e já entrou no meu hall de favoritos.

Para sobremesa eu comi um Pain Perdu, que é um brioche embebido em algo, me lembra uma versão delicada da french toast americana, porém menos molhada. Com uma leve calda de baunilha com uma geléia de frutas vermelhas. Este foi o melhor que já comi, leve e doce, com acidez das frutas estava realmente perfeito.

Os outros convidados também gostaram, mas eles eram todos parentes, hehehe. Mas falando sério se vcs tiverem metada da experiência que eu tive, já vai valer a pena. Não posso esperar outro final de semana, com esse meu amigo em São Paulo para repetir a dose.

Ici Bistro
Rua Pará, 36
Higienópolis – São Paulo
Tel – 11- 3257- 4064

Sem estrelas dado que não foi uma experiência usual! Mas prometo que vale a pena!

Wednesday, June 11, 2008

Temakeria & Cia - Boa opção simples e barata.

Na semana passada, fui jantar na Temakeria & Cia, que fica aqui no Itaim, to começando a achar que São Paulo para mim se resume a este bairro! Este é provavelmente um dos precursores da Koni Store que é uma febre no Rio de Janeiro e vem se alastrando rapidamente por todo o país, fazendo para a comida japonesa o mesmo favor que o Espoleto fez para a italiana: descaracterização, redução de padrões e aumento de eficiência.

A Temakeria tem mais cara de restaurante japonês e tem as opções de combinados a sua diferença é a ampla oferta de temakis, que são bem executados. O local é agradável mas meio mau divido a impressão que me deu é que era uma outra coisa e foi virando o restaurante atual. Mas acho que o propósito deles não é ser um super restaurante é ser aquele japonês de bairro.

Os temakis são gigantes e tiram o charme da praticidade que é intencional, dado o excesso de recheio acabam por se desmontar. Mas são muito saborosos e tem o essencial alga crocante, arroz gostoso e peixe fresco. Os invecionismos são até gostosos. Sem dúvida é uma boa opção para um jantar rápido caso vc esteja no Itaim.

Temakeria & Cia
Rua Joaquim Floriano - nº307 - Itaim Bibi
Tel – 11 – 3073-0905

2**
$

La Pasta Gialla - Uma não tão típica cantina Italiana

La pasta Gialla
Sergio Arno tem uma coleção de restaurantes no Itaim em São Paulo, sou frenquentador do General Prime Burger que acredito ser a sua casa menos tradicional, acho este muito gostoso. Ontem eu fui no La Pasta Gialla, que tem uma proposta de ser um restaurante mais informal, quase uma cantina, mas sem a cafonice/decoração típica das cantinas de São Paulo. Tem-se a sensação clara que vamos comer uma comida tipicamente italiana, mas de maneira mais sutil do que toalhas xadrez e garrafões de vinho no teto.

Como todo lugar ok or above em São Paulo, estava lotado e fomos colocados, de maneira um tanto quanto rude, em um balcão lateral, mas nada afetaria a minha noite, retruquei com simpatia que quase constrangeu o garçom. O serviço há de ter sido o low point da noite, apesar dos próximos atendentes terem sido muito mais delicados e cuidados, ficou difícil de esquecer a recepção. Além disso, fomos meio que esquecidos em alguns momentos.

De entrada pedimos uma Bruscheta de pomodoro basilico, com parmesão gratinado, estava salgadinha como devia ser e com um sabor inconfundível de tomates de qualidade, esta é grande e, com isso, vc acaba ficando limitado a um único sabor, apesar da grande variedade de opções. A opção de mix and match seria uma ótima pedida.

Para meu prato principal eu pedi um raviole de queijo de cabra, com molho de peras e amêndoas torradas. A combinação ficou sensacional, as texturas tão diferentes era uma explosão na boca e o azedo do queijo de cabra balanceava a doçura das peras e amêndoas. Nas primeiras 7 garfadas eu achei que estava nos céus, mas acho que no final o gosto adocicado se sobrepôs ao queijo, talvez raviólis mais polpudos, ou um pouco de menos molho fizessem esse prato muito bom. Meu companheiro pediu um Gnochi ao molho de tomates e queijo brie, estava muito saboroso com massa super leve, outra boa pedida.

All in all a experiência foi muito agradável, a carta de vinhos é ampla mas a opção de pedir decanters de 250 e 500 ml é sensacional e um charme. Para padrões paulistas e dada qualidade na massa, não é uma surpresa, mas tenho que admitir que acho que no Rio esse mesmo lugar custaria 30% menos, em compensação o aluguel do Leblon em 50% a mais!

La Pasta Gialla
Rua Pedroso Alvarenga, 528
Itaim Bibi - Zona Sul
Tel - 11 - 3079-3557

3***
$$$

Thursday, June 05, 2008

Emiliano - Mais um para a lista de observações

Ontem eu fui almoçar no Emiliano, nos Jardins, o restaurante que fica dentro do hotel com o mesmo nome, um desses hotéis 5 estrelas modernos e estilosos, mas com um toque de classe italiana talvez. O restaurante fica no fundo do hotel com um jardim de inverno muito bonito e agradável. Tem pessoas que tem preconceitos contra restaurante de hotel mas esse não é o meu caso, já comi ótima refeições em hotéis.

O Emiliano é um restaurante de cozinha moderna com um ambiente que combina com a sua comida, a decoração lembra um pouco a do Fasano por ser clássica e leve. Eu gosto muito desse tipo de ambiente para comer, onde a decoração ou o ambiente não roubam a cena do ator principal: a comida.

Então falemos dela, o couver estava muito gostos com opção de pães quentinhos e algumas pastinhas além de um azeite muito com fleur de sel para vc fazer uma belíssima scarpetta – passar o pão no azeite. De entrada eu pedi um carpacio que vinha com rúcula, parmesão e cogumelos na manteiga, sabores equilibrados e ligeiros, como uma entrada tem que ser. Antes disso, na verdade recebemos a entrada do chef, um ravióli (eu disse um mesmo) de cogumelos que estava excepcional, deixou uma sensação de quero mais e foi um bom começo para a refeição. Eu tenho que admitir que ADORO ser surpreendido por um amuse bouche ou um prato de surpresa entre pratos, isso faz toda a diferença e mostra o “carinho” que estamos sendo recebidos.

O meu prato principal foi um combinado de frutos do mar grelhados com um ravióli de abobora que estava muito delicado e poderoso ao mesmo tempo. A doçura da abóbora completava o fresco do camarão e o tempero do açafrão. Ao final, ficamos sem sobremesa mas tomamos um café, Nespresso, mais pontos para o Emiliano. O serviço foi definifivamente acima da média e beirava o invisível, como deve ser em um ambiente como esse. Entra definitivamente na lista de lugares em observação, acho que mais uma visita do memso nível o coloca na categoria acima.

Emiliano
Rua Oscar Freire, 384
Jardim Paulista - Zona Sul
Tel – 11 - 3068-4390

3***
$$$$

Friday, May 30, 2008

Mori – Mais uma boa opção de japonês criativo em São Paulo

Vamos combinar que o que não falta em São Paulo é bons restaurantes japoneses, mas é sempre bom achar mais um que entrega a sua proposta. Acho que temos que dividir todos os restaurantes nipônicos em duas categorias: os criativos e os tradicionais. O Mori com certeza se encaixa na primeira categoria, vale ressaltar que não acho que uma seja melhor que a outra, simplesmente diferente. O Mori original fica em perdizes, mas fomos à nova filial da casa que fica em Moema. O local é muito agradável com decoração minimalista e seca, que foge um pouco da decoração padrão de japoneses com mesas de fórmica preta.

O serviço foi muito atencioso, nós sentamos no balcão onde o sushi é servido diretamente como nos restaurantes mais tradicionais, teoricamente aumentando assim o contato com o Sushimen. Dito isto, como optamos pelo rodízio, acabou que interagimos pouco pois em apenas 5 minutos já tinha na nossa frente muito mais que conseguiríamos comer, com boa opções como o Hot Philadelphia, e alguns outros invencionismos. O serviço de bebidas e pratos quentes foi muito bom (esse é feito por um garçom de fora do balcão). A única ressalva foi a host que quando ligamos mais cedo para fazermos uma reserva, nos informou que o movimento estava muito "tranqüilo", e que não era necessária a reserva. Não só essa informação era inverídica – o restaurante estava cheio – como quase nos fez desistir de ir a um restaurante "tranqüilo".

A comida é criativa, mas muito bem executada dentro de sua proposta. O sashimi estava bem cortado e fresco. As criações estavam saborosas e fugindo um pouco do lugar comum dos hots com tudo que vc pode imaginar dentro. É impressão minha ou todos os rolinhos criativos do mundo usam teriyaki? Eu acho que se houve um down side na comida, como nos foi colocado em 5 minutos todos os possíveis rolinhos nos sobrou pouco espaço para pedir algo sem tanto gosto adocicado. No final das contas vc fica com vergonha de pedir coisas além da grande variedade na sua frente.

O preço é justíssimo para um Retsaurante em São Paulo, o rodízio é apenas R$ 45,00 e dado o ambiente e atendimento eu achei uma barganha. Isso de fato faz o Mori ganhar pontos extras. No entanto, se vc me perguntar se a comida era algo para ser lembrado daqui a 6 meses, vou ter que dizer que não. Mas isso não faz com que o Mori não seja uma boa opção para um bom encontro com amigos na quinta à noite.

Mori

Rua Gaivota, 1488
Moema - Zona Sul
Tel – 21- 5532-0181

2**
$$

Thursday, May 29, 2008

Pizzaria Cristal – ambiente e sabor.

Ontem a noite cedi a uma resistência que eu tinha de ir a Pizzarias em dia de semana. Aqui no Itaim mesmo tinha duas opções segundo meu host: Pizzaria Cristal ou A Tal da Pizza, ele era habitue da primeira opção e acabei optando por esta. Pizza é uma coisa quase que religiosa para paulistas, acho que isso vem da herança italiana na cidade, uma vez que para os Italianos acho que na velha máxima de que não se discute política, futebol e religião se pode incluir comida. Em uma visita a Napole aprendi que pizza é simples, tem poucos ingredientes e que o segredo está na verdade na qualidade, não estou aqui discutindo a Pizza Hut que é outro tipo de comida, desde então sempre opto por pizzas simples para saber o quão boa é a pizza. Se uma pizzaria não sabe fazer uma boa pizza Margueritta, esta é um caso perdido e ninguém me convence do contrário.

A pizzaria Cristal é aparentemente uma das mais badaladas de São Paulo, mesmo para uma quarta-feira estava relativamente cheia, me parece que aos domingos as filas são enormes e a qualidade do atendimento cai um pouco. Nesta quarta fomos muito bem atendidos, mas tenho que admitir que a minha companhia era de fato habitue e conhecia todos os garçons pelo nome, com isso, fico devendo uma avaliação mais honesta do serviço, mas se eles forem metade do que foi ontem a noite já merecem alguns elogios.

Uma coisa que me impressiona nos Restaurantes de São Paulo é o tamanho, são sempre grandes, espaçosos e bem decorados, com a Cristal não foi diferente. O Ambiente era aerado e dividido em 3 sub ambientes sendo que a separação do bar para o salão principal fica o forno de Pizza, a estrela principal da casa. Achei os preços do menu paulistas, mas dado que esta é a pizzaria mais tradicional na badalação de São Paulo achei honesto, é mais barato que a Capriciosa carioca.

O menu tem uma diversidade de opções de pizzas eu optei por uma meia Pomodoro, meia Peperoni. A primeira era uma versão da marguerita com mozarela de búfala e tomate pellati – sim em São Paulo as coisas italianas são chamadas pelos nomes em seu idioma original – a pizza estava muito saborosa com massa fininha e com um sabor leve, mas tenho que admitir que não era nada de sublime. A segunda metade era composta de Peperoni e cebolas e esta eu achei mais completa e marcante, as cebolas estavam quase adocicadas e ainda levemente crocantes, o peperoni era saboroso e misturou bem com a mozarela. A pizza no total era muito saborosa e bem preparada. Imagino que haja certa constância da qualidade dada a história da Cristal.

Cristal

Rua Professor Artur Ramos, 551
Jardim Paulistano - Zona Sul
Tel – 11 - 3031-0828

2**
$$

Friday, May 23, 2008

Burger & Bistro - Tipicamente Paulista

Burger & Bistro

Esta semana estava em São Paulo e fomos jantar no Burger Bistro, mais um dos infindáveis restaurantes charmosos e interessantes de São Paulo. Aquela cidade nunca cansa de me surpreender com mais um lugar para colocar na minha lista. Voltemos o BB (como eles mesmo se chamam), como já disse a decoração é muito charmosa e é intencionalmente confusa e isplicente, tem um “jardim de inverno na frente agradável e uma mesa isolada para “bigger parties” ideal para comemorar um aniversário com amigos.


Logo na chegada fomos recepcionados pelo Maitre D´ que nos levou a mesa e chegou uma cestinha de papel com pães quentinhos com uma coleção de pastinhas e azeites, provavelmente um dos highpoints da noite (sou super fã de couvert). O atendimento foi meio freaky com o nosso garçom/somelier sendo muito intrusivo e a garçonete da nossa mesa sendo falsamente atenciosa, quando a precisávamos não estava por perto, mas quando estava ela era super atenciosa – ela me ajudou a tirar meu casaco, quem ainda faz isso aqui no Brasil?


O cardápio é relativamente limitado, mas esta é a proposta da casa, várias opções de burgers com diferentes molhos e algumas opções de acompanhamento. Eu escolhi o Burger de carne bovina com o molho bechamel e foi uma boa escolha, de acompanhamento fiquei com o trio de batatas fritas e aipim, igualmente gostoso. O resto da mesa ficou também nos burgers e me pareceram genuinamente satisfeitos. A carta de vinhos poderia ser mais completa, dada a adega tão charmosa!


All in all foi uma noite agradável e para padrões São Paulo justa no preço. Acho que não foi uma noite memorável e o atendimento realmente me incomodou.


Burger & Bistro

Rua Bela Cintra, 1693

Jardim Paulista - Zona Sul - 3062-0643


** (a cotação máxima são 4 ****, mas outro dia eu explico meus critérios)
$$$