Thursday, October 23, 2008

Per Se - Sabores que duram até o dia seguinte, pelo menos.

E aqui estamos de novo diante de um refeição de 4 estrelas! Eu sei que sou muito chato, mas realmente é difícil combinar: atendimento, ambiente, comida inovadora, execução impecável! Tenho que me defender logo, que além dessa refeição e da outra quarto estrelas que tenho aqui no blog, tenho uma que nunca escrevi, mas que vale mencionar para vcs não acharem que eu sou um pedante, que acho que só se pagando muito se come impecavelmente bem. Em Boi Peba, na Bahia, tem um restaurante chamado Mar e Coco, que é na verdade quase uma cabana e tem apenas 4 ou 5 pratos no menu, simplesmente divino, quando comi lá gastei 20 reais!

Mas voltando ao assunto, eu jantei de novo no Per Se em NYC e tenho que dizer que poucas vezes me senti tão mimado como lá, da execução perfeita da comida ao serviço que é algo que não dá para ser descrito com facilidade tudo é sem falhas. O Per Se é um restaurante de menu degustação, mas vc tem escolhas, ou vc é vegetariano ou não é! Além disso, em dois momentos dos 9 pratos (mas acredite não é tanta comida assim), vc pode fazer escolha entre 2 opções. Mas na verdade nem que não pudesse confiaria no chef Thomas Keller de olhos fechados. NADA, absolutamente NADA que veio a mesa era menos do que sublime.

Não posso falar de todos os pratos para não entediar vcs, mas logo que chegamos somos sentados em uma mesa com a vista incrível do canto do sudoeste do Central Park, em um restaurante que tem uma decoração que é “tone down”, com tons sóbrios de marrom e off White, talvez para não atrapalhar a grande estrela da noite: a comida. As mesas são impecavelmente postas, com talheres de prata simples e louças sempre brancas (eu realmente não gosto de louça escura que eu não consigo ver o que estou comendo, será que até nisso ele pensou), em formatos que variam de acordo com o prato que está sendo servido.

Antes de tudo começar somos surpreendidos pela versão francesa de nosso pão de queijo, baseado no queijo Gruyere, sequinho e levemente crocante por fora e uma explosão de suavidade por dentro, com o gosto inconfundível do gruyere, logo após somos surpreendidos por um cone ultra crocante, mas de massa leve, enrolado em um guardanapo, dentro um sour cream leve, quase que como claras em neve, e em cima um tartar de salmão picado em mínimos pedaços. Lá a comida é mais que sabores são texturas, sensações e aromas. Além disso, vale lembrar que é claro que adoro essas surpresas que são feitas ao longo da refeição.

Entre os pratos que comi vou destacar 3, de entrada o prato mais conhecido do cheff, uma ostra levemente cozida, em um potinho com um fundo de sagu (isso mesmo a nossa velha tapioca que lá é chamada de pérolas de tapioca), um creme que me lembra um bechamel rico em manteiga e com uma pequena colher de caviar negro. Acho que esse prato é a definição da cozinha do Per Se, as texturas do caviar e do sagu contrastam com a da ostra que esta perfeitamente fresca, o molho amanteigado balanceia o gosto peculiar e salgado do caviar, sem que nada perca seu lugar.

O Foie Gra frio com calda de frutas vermelhas veio com a textura firme como deve ser, contrastando com a acidez das frutas vermelhas e com um brioche, que faria inveja a qualquer padeiro. Os pães lá são frios como nos restaurante europeus, mas as manteigas são um capítulo a parte. Lá tudo tem uma história a nossa manteiga veio de uma fazenda de Vermont, de 35 acres com apenas 6 vacas, que produzem manteiga todos os dias apenas para o Per Se, chic mesmo é ter uma história de exclusividade por trás do seu produto, forget the rest!

A vieira selada na frigideira com a textura de uma nuvem branca, de tão perfeita, vinha com um molho de romã, que trazia um contraste com a melosidade do marisco, mais uma vez um balanceamento perfeito entre sabores e texturas. O peito de pato estava cozido perfeitamente e acompanhava um gratin de batatas, simples não? Mas quando simples atinge a perfeição o que fazemos? Deliramos, acho que é isso.

O carneiro estava muito bom, assim como o peixe (não me pergunte o nome em português Yellow Tail Snapper), a sobremesa de pêra estava maravilhosa assim como o sorbet antes da sobremesa de melancia. A surpresa de um parfait com calda de amoras era um final feliz para os homens, e um mini creme brulé para as mulheres (não sei qual a lógica). Mas, no Per Se, eles não se dão por satisfeitos, que tal a seleção de chocolates feitos lá mesmo para acompanhar o café? No final da refeição recebemos uma sacolinha com um crocante de amêndoas com base de chocolate, mas no meu caso que tinha comentado que não comia chocolate, caramelos puxa com gosto de infância! No dia seguinte enquanto comia os meus caramelos ainda delirava com os sabores da noite anterior, no Per Se eles são cuidados para que a sua experiência dure até o dia seguinte.

Mas tenho que admitir que tudo isso é uma brincadeira cara, o menu degustação sem a escolha do Foi Gra no terceiro prato é US$ 275, se vc fizer a minha escolha adicione mais US$ 30, ou seja é para os amantes da boa comida, as pessoas com um cartão corporativo ou amigos muito gentis que te convidem para a experiência. Não se esqueça que com uma refeição como essa um bom vinho é necessário, ou seriam bons vinhos. No final das contas prefiro isso que uma noite em um hotel maravilhoso ou uma extravagância qualquer, mas sei que eu sou meio maluco por comida, vide esse blog!

Per Se
Columbus Circle, Time Warner Centre, 4th Floor
NYC

4****
$$$$.... 

Sunday, September 28, 2008

Carlota - Charme na Dias Ferreira

Mais um restaurante da R. Dias Ferreira no Rio de Janeiro merece destaque por aqui. O Carlolta, talvez o mais charmoso deles, é realmente uma experiência no mínimo agradável. O salão do restaurante não tem mais de 10 mesas, em um estilo de bistrô francês, com cores mais leves e toques de cultura nordestina, tudo com a leveza de ser no Rio de Janeiro. O cardápio de lá é um desses que vc fica na dúvida do que pedir, ou que vc tem um prato que é o seu favorito, e deixar de comer ele, é uma lástima.

De entrada optamos pelo mix de rolinhos que sempre é um hit, mas tenho que deixar aqui a minha crítica a falta de couvert, fomos informados que o couvert era uma sopa, me desculpe, mas isso não é um couvert. Os rolinhos são uma mistura de todas as influências gastronômicas do menu. Rolinho vietinamita, Harumaki de Pato, bolinho de peixe com pesto, etc. Todos muito saborosos e bem executados. Destaque para o bolinho de peixe com pesto.

De prato principal eu optei pelo ravióli de emental com picadinho de filé e cogumelos paris. A massa estava leve com a suavidade do emental, mas o grande destaque ficou para o molho do picadinho, que cobria os raviólis, este era forte, profundo, com um sabor cremoso, sem essa consistência, com aquela profundidade de algo que passou horas cozinhando e como diz Sara (cozinheira da casa de minha mãe) pegando gosto. A combinação da melosidade do sabor do emental com este molho era uma combinação incrível, quase que um chamego. O resto da mesa me pareceu bastante satisfeito, destaques para o peixe com um fetutini de pupunha que estava delicioso e foi muito elogiado.

De sobremesa o irresistível suflê de goiabada com calda de catupiry, este clássico do Carlota (dizem as más línguas uma cópia de outro restaurante) é fantástico, os sabores todos nós conhecemos e gostamos, então ele transforma as texturas. A goiabada vira um creme aerado, sem perder o adocicado e o catupiry uma calda que vai molhando o suflê aos poucos o murchando na medida certa.

No final das contas o jantar é programa agradável, devido a carta de vinho um pouco cara, se torna um programa mais eventual que rotineiro, os preços são levemente salgados, mas vale a pena ir experimentar. Até porque a comida é realmente marcante.

Carlota

 Rua Dias Ferreira, 64
 Leblon - Zona Sul
Tel – 21-2540-6821

3***
$$$$

Casa de Minha Avó Maria - Luxo para poucos!

Comer bem é um dos maiores luxos que alguém pode ter, comer bem em casa é algo quase que impensável para a grande maioria dos meros mortais como eu. No entanto, eu tenho o prazer de poder, de vez em quando, devido à distância, comer maravilhosamente bem na casa de minha Avó Maria, me desculpe meu Avô, mas quando falamos de comida a casa é como se fosse só dela. Segundo ela mesma, comer desta forma é uma tradição que foi passada de mãe para filha, falando assim parece que deve ser simples fazer aquilo tudo, mas tenho dificuldade de imaginar um lugar onde se pode ao longo de anos, manter a consistência de qualidade como lá, se nem os grandes chefs, cobrando fortunas conseguem é porque isso não é nada simples.

Almoçar lá é um evento de horas, sempre começamos na varanda (que tenho que admitir era mais agradável na saudosa Albalonga) com pequenos abarás que derretem na boca, com um leve toque de dendê, ou com uma tábua de queijos e torradinhas, quem sabe um dos canapés que minha irmã adora. Um clássico que nunca falta é o Beiju de Tapioca com pastinha de parmesão, a tapioca fica crocante e tem um gosto leve que é dominado pelo sal do parmesão, poucas coisas tem tanto gosto de Bahia como isso.

O serviço lá é um capítulo a parte, Magic Mauro (como meus amigos Italianos o apelidaram, depois de um carnaval que as coisas simplesmente brotavam do chão sem nem notarmos a sua presença) é uma das pessoas mais gentis e discretas que vc vai conhecer. Sempre como seu uniforme branco, está disposto a fazer uma caipirinha, trazer uma coca-cola em um copo gigante, ou simplesmente servir água nos nossos copos durante o almoço. Não sei se sou eu que já acostumei em comer lá, mas tenho a impressão que o serviço é effortless, mas tenho certeza que não é. Ao sentar a mesa, posso notar que tudo foi pensado, da toalha que combinam com os porta-guardanapos, aos copos de vinho que combinam com a louça, mas nada de conjuntinho, e sim uma montagem muito bem feita, mas que não ofusca a grande estrela do dia: a comida. Claro quer o arranjo do centro da mesa também foi bem pensado, mas só está ali até meu Tio o tirar, pois está atrapalhando a conversa.

Se você tiver sido inteligente o suficiente, ou no meu caso já tenha freqüentando esses eventos muitas vezes, você resistiu bravamente a gula dos aperitivos e sobrou ainda um bom espaço no seu estomago. Porque nunca se come um só prato na casa de minha avó. Neste sábado, seguindo os meus pedidos, iniciamos com um Bacalhau Gomes de Sá, um prato típico português, que me perdoe o Antiquários, acho que nunca comi um tão bom. A simplicidade do preparo me deixa intrigado como as outras pessoas não conseguem chegar nem perto daquela perfeição de sabores. A batata que está al dente, contrasta com a maciez dos tomates e do próprio bacalhau (segundo minha avó ela estava preocupada, pois era a primeira vez que usava apenas o filé do bacalhau, mas depois desse almoço, acho que ele não volta mais ao velho bacalhau). O molho é quase que indescritível com a leveza do litro de azeite de oliva (azeite doce na Bahia) mas a profundidade dos legumes e peixe cozinhados por horas ali. O pãozinho torradinho que estava a nossa esquerda já tinha um destino certo, ela já sabia que seria tão bom e que não resistiríamos a limpar os pratos.

Não satisfeita com o Bacalhau, nos chega o segundo prato carne de fumeiro, com abacaxis, cebolas, farofa e feijão verde. Vou explicar primeiro o que é carne de fumeiro: uma manta de carne de porco que é meio que defumada com algumas ervas, segundo minha Vó, lembrando um pouco o processo das lingüiças, por horas e fica rosada, com aquele sabor inconfundível da fumaça, quase que doce. A carne estava um sonho, macia, leve e adocicada, acompanhava uma das farofas baianas bem amarelinhas (não, não a que vcs estão pensando com dendê, farinha boa é torradinha e já vem meio amarelada, com a mistura da manteiga ela ganha essa cor amarelo ouro, diferente do amarelo bandeira da outra farofa) e um feijão verde (não sei muito bem o que é isso, mas sempre tem lá) é como se fosse um feijão fradinho, com um molho mais leve, mais aguado, com temperos quase que refrescantes, esta combinação é perfeita com essa carne, que já tem esse gosto tão peculiar e não deve ser dominada por mais nada.

Não posso deixar de dar crédito a Dr. Aleixo aqui, meu avô que já bebe vinho tinto muito antes que taninos e carvalhos americanos e portugueses eram assuntos de mesas. Lá aprendi que vinho branco é Chablis, que vinho tinto é francês (tenho que admitir que tenho conhecido coisas fantásticas ultimamente que não são franceses, mas vamos combinar se vc só pudesses escolher uma nacionalidade era essa que vc ficaria). A seleção de vinhos de lá é sempre marcante, não porque o tanino do vinho combina com algum tempero, simplesmente porque um bom vinho sempre combina com uma boa comida.

Mas se você é realmente um expert nesses almoços, vc não se esqueceu durante o delírio acima descrito que as sobremesas lá são um capítulo a parte (mesmo eu, as vezes me perco e acabo comendo mais do que devia). Neste dia comemos uma cheesecake, que apesar de ter tido sua deliciosa crust queimada (obviamente pela coitada da ajudante, dado que minha Avó não erra) tinha o seu recheio leve, quase que com consistência de creme de leite, mas com o sabor levemente azedo do queijo, que contrastava com o doce da geléia de morango. Mas podia ter sido a deliciosa torta de amêndoas, que são descascadas uma por uma, para fazer o recheio da torta mais gostosa que conheço.

Obviamente sou viesado, pode ser que tudo isso seja na verdade melancolia de um tempo onde almoçava lá sábados e domingos, quando meus grandes problemas eram a prova de redação, e que meus finais de semana eram dominados por banhos de piscina e revistinhas em quadrinhos, onde as conversas não incluíam nem bail-out ou SELIC. Um tempo quando comer aquilo tudo era normal, que não sabia o quão especial era ter o privilégio de aprender tanto sobre comida. Só tem uma maneira de descobrir, venha você experimentar, se vc sair de lá com uma impressão diferente, acho que vou abandonar esse blog. 

Monday, September 08, 2008

Majorica - Carnívoro com Orgulho

Comer carne vermelha é um prazer que muitos criticam, as vezes eu me sensibilizo e considero a possibilidade de parar, mas isso só dura até comer uma carne impecável que me faz delirar. Poucos lugares são restaurantes completos, comida, serviço e ambiente perfeitos e por isso, quase nunca dou a cotação máxima. A Majorica no flamengo está nessa categoria cruel ontem tem um dos fundamentos (comida) incrível, mas deixa a desejar nos outros dois.

Esta tradicional churrascaria carioca fica no Flamengo, em uma rua movimentada de mais, com um serviço de manobrista completamente ineficiente, ir lá é uma escolha consciente: “vou comer uma carne maravilhosa e nada vai me atrapalhar”. O ambiente remete a uma decoração de fazenda dos anos 60, sem nenhuma reforma desde então, um pouco lúgrube, abafado e simplesmente dated. Os conservadores dirão que eu não entendo o valor da tradição, acho que existem maneiras de passar a tradição, sem a sensação de que há gordura de 50 anos atrás nas vigas de madeira expostas.

Logo ao chegar pedimos uma lingüiça de entrada que comemos com o molho a campanha. Notei que havia algo diferente no molho, era mais adocicado, pode ter sido a falta de pimentões, ou menos vinagre, mas tenho que admitir que foi o melhor que já comi. Pedimos de prato principal a ponta de picanha fatiada, com farofa de ovos, batatas portuguesas, batatas suflê e arroz de brócolis. A carne estava incrível, macia como poucas que eu já comi, e saborosa. A textura da carne era amanteigada, ao comer junto com a farofa de ovos, a carne se perdia.

As batas são quase um capítulo a parte, a batata suflê é macia no seu miolo, com a sensação que há uma leve camada de um purê de batatas no meio, e crocante nas bordas. A portuguesa é sequinha, levemente macia, como algo tão simples, pode ser tão bom!? O arroz e a farofa estavam também muito bem feitos, e combinavam bem com o resto dos nossos pratos. Para a sobremesa ficamos com banana frita e sorvete de creme, uma sobremesa quase que caseira mas que estava bem executada, sem maiores surpresas, pode ser que depois da carne e batatas, nada pudesse me surpreender.

O serviço foi irregular, com atenção por parte dos garçons em alguns momentos e falta de foco em outros. Não é um atendimento folclórico onde faz parte ser mau atendido, simplesmente um restaurante cheio com garçons que são apenas ok. No final das contas, tudo tinha valido a pena, só para comer aquela carne.

Majorica
Rua Senador Vergueiro, 15
Flamengo – Rio de Janeiro
Tel – 21- 2205-6820

3***
$$$

Friday, August 29, 2008

Zuka - Quando a comida vence o serviço ruim.

Se vc me perguntar qual é a minha sobremesa favorita, sem pestanejar eu vou dizer Ovos Moles com sorvete de canela do Zuka. Mas o este restaurante é muito mais que esta sobremesa, é simplesmente um dos melhores cardápios do Rio, tanto de criatividade quanto de execução. Originalmente a cozinha foi comandada pelo, então desconhecido, Felipe Bronze que iniciou a tradição da casa de grelhar e com uma cozinha aberta super bonita – ele também foi o criador da minha sobremesa favorita. Depois dele a Ludmila Soeiro assumiu a cozinha e manteve os traços da brasa e forte criatividade.

A decoração é bem básica e o salão é dominado pela parede de bronze acima da grelha da cozinha aberta, além disso, são tons de cinza e ângulos retos. Fica na badalada Dias Ferreira, no Leblon, onde todo mundo que é cool, ou tenta ser, passa nos finais de semana. Vc pode também optar por sentar no balcão de frente para a cozinha se preferir, que para dois é uma boa opção.

Eu já fui ao Zuka inúmeras vezes e conheço o cardápio quase todo, de entrada acho que o highligth é o Zuka na Brasa que é uma combinação de diferentes espetinhos, com molhos, assados na brasa. O meu favorito é o de camarão na crosta de pão de alho. Este também pode ser pedido como prato e acompanha um risoto de limão siciliano, que é cremoso e leve balanceando a acidez do alho da crosta. Nesta noite eu pedi as lascas de filé com couscous marroquino, que estava saboroso, e bem executado. O meu prato preferido foi pedido na mesa o filé mignon com ervas e risoto de Chevre, que é um prato de sabores simples, e tradicionais mas que juntos trazem potência e melosidade.

A sobremesa que eu tanto gosto é simples, mas as diferentes texturas e temperaturas do sorvete e dos ovos moles completam de forma criativa a já testada e aprovada combinação da canela com o doce. Mas como nem tudo é perfeito, o serviço do Zuka é lamentável para o restaurante que cobra aquele valor. Os garçons de lá tem o super poder de não olhar para vc quando vc está chamando, obviamente porque está acompanhando a mesa para antecipar as suas necessidades já seria demais para pedir. Mas tenho que admitir que a comida teima em me convencer a voltar.

Zuka
Rua Dias Ferreira ,233
Leblon – Rio de Janeiro
Tel 21-2249-7550

3***
$$$$

Tuesday, August 26, 2008

Asia - Um toque especial em Santa Teresa

Tem poucas pessoas que respeito cegamente uma diga gastronômica, mas tem um amigo meu que é sempre spot on, dificilmente tendo a discordar das suas observações, as vezes apenas da intensidade delas. Quando ele me falou que tinha achando um restaurante maravilhoso em Santa Teresa de comida asiática, não pude resistir, sabia que seria uma boa pedida. Primeiro lugar amo comida asiática e em segundo acho o bairro tão agradável e sempre me falta uma desculpa para ir passear por lá, dado que considero praticamente um programa turístico.

O restaurante fica na rua principal lá de Santa Teresa, então qualquer pessoa pode chegar com facilidade. A casa que abriga é muito charmosa e está completamente reformada, com uma decoração simples e com toques muito legais asiáticos, nada de fórmica preta e vermelha. São 4 andares com ambientes bem divididos conectados por escadas e varandas muito charmosas (em dias de chuva isso pode ser um problema. Nós ficamos na sala no andar de baixo, que dá acesso a uma agradável varanda e uma vista verde, bem Santa Teresa.

Começamos com a seleção do chef de Dim Sums que parecem ser a especialidade da casa, tem mais de 10 opçoes, desses deliciosos pastéis asiáticos, fritos ou cozidos no vapor. Eram tantas opções que confiamos no chef para a escolha e não estávamos errados, gostamos de todas as opções que vieram a mesa. Meu preferido era um tipo de harumaki de pato e um rolinho frito, parecendo um ouriço, com recheio de creme de inhame e legumes; a parte de fora era crocante, quando mordi há uma leve explosão desse creme suave que contrasta com os legumes ainda não tão cozidos, de fato muito interessante.

Para os pratos seguimos a etiqueta oriental e pedimos pratos para ser divididos family style, ou seja pratos ao centro da mesa e pequenas cumbucas e pratinhos que íamos nos servido de arroz de jasmin, e os pratos. Pedimos um curry levemente apimentado de legumes, que quando misturados ao arroz balanceavam bem, apesar de são ser super fan de curry, gostei muito pois o sabor era leve. Pedimos uma carne com gengible, alho e cebola, que estava sensacional, com o toque marcante do gengibre, mas com um molho levemente adocicado com as notas de alho e cebola que haviam sido cozidas por um bom tempo. Por fim um macarrão de arroz com lulas e camarões que estava leve e saboroso, como deve ser um desses pratos.

Não experimentei os chás que parecem ser um espetáculo a parte na casa, dada a seleção do menu. Eu estou com vontade de voltar para ficar apenas nos Dim Sums que parecem ser uma grande pedida, e é uma tradição oriental aos domingos. O serviço estava atencioso, mas poderia ser um pouco melhor, tivemos que chamar a atenção dos garçons umas duas vezes para tirar os pratos ou pedir mais bebidas, mas nada que comprometesse a agradável tarde de domigo.

Asia
R. Alm. Alexandrino, 256
Santa Teresa, Rio de Janeiro
Tel: +55-21-2224-2014

3***
$$$

Monday, August 25, 2008

La Giostra - Comida como deve ser.

Existe na Itália um movimento que tenta combater a pressa do mundo moderno quando estamos comendo, no Brasil, até já temos alguns representantes, que é chamado Slow Food. Neste tipo de restaurante não devemos ter pressa para comer e comida é preparada toda na hora de forma quase que artesanal. Nesta minha estada na Itália, entre muitos paninos e muitas pizzas eu fui jantar no La Giostra, que fica em uma pequena rua em Firenze.

O restaurante fica em um antigo armazém do século 15, e tem um ambiente aconchegante com suas paredes rústicas e suas vigas expostas. As mesas são relativamente apertadas, mas isso só faz vc se sentir mais em casa ainda. Ao chegarmos fomos recebidos pelo nosso garçom que falava inglês perfeitamente – caso raro na Itália – que prontamente nos ofereceu uma taça de Proseco, como boas vindas da casa.

Fizemos nosso pedido quase que sofrendo de tanta dúvida do que deveríamos pedir, dado um menu tão diverso e com pratos tão apetitosos. De entrada pedimos uma Burrata e um Presunto San Daniele com melões, mas antes disso fomos surpreendidos mais uma vez por um prato de apereitivos incrível, para que pudéssemos entender a palheta de sabores do chef. Tinha bruschetas de tomate, e de fígado de coelho – ponto especial para essa, que pode parecer horrível, mas era intensa, cremosa e leve ao mesmo tempo – tomates confitados, alici, pimentões grelhados.

As entradas de fato estavam perfeitas, uma das características desse movimento é privilegiar ingredientes orgânicos, de alta qualidade. A burrata estava perfeita, cremosa por dentro sem ser enjoativa. O presunto estava salgado na medida certa para balancear com a doçura do melão, que tinha um gosto leve, o contraste de temperaturas e sabores é absolutamente campeão para mim.

Para o nosso prato principal convenci minhas duas parceiras a pedirmos uma Bisteca Fiorentina para três. Este tipo de prato é pedido por peso, que inclui o osso; ficamos com 1,5 kg de uma belíssimo T-Bone Steak cozinhado com perfeição, a carne vem rosada por dentro e é macia, com o leve gosto da grelha de ferro e o toque ocre do carvão. Para acompanhar um leve feijão branco com cebolas, pois a estrela era a carne e nada deveria competir. Tenho que admitir que depois da minha experiência da Argentina e agora essa, estou chegando a conclusão que no Brasil comemos carne muito mal.

De sobremesa comemos um Tiramisu, que estava leve e aerado com um gosto de espresso forte e marcante como deve ser. A experiência ainda me faz delirar e posso sentir o gosto da carne e da bruscheta de fígado de coelho. A conta para tamanho festival de comida foi absolutamente aceitável.

Esta é a frase que li no restaurante e que está tb no site deles: "Because food is necessary and choosing it is a privilege, but cooking it is an art." Para vcs entenderem o espiríto do lugar.

La Giostra
Via Borgo Pinti, 12r
Firenze – Italia
Tel + 39 055241341

4****

Nostromos - O problema não é o restaurante é a culinária local.

A Croácia é um país encantador mais sem dúvidas não pode ser conhecido pela sua culinária espetacular, não sei se foram os anos de regime comunista ou a proximidade a um vizinho que tem provavelmente uma das mais complexas e completas cozinhas do mundo – óbvio que estou falando da Itália. Mas aprendi que comer é muito mais que apenas o melhor sabor de sua vida, é a companhia, o serviço e o ambiente. Em minha primeira noite em Split, uma simpática cidade na costa Dalmatiana, fomos jantar no Nostromos, um restaurante de frutos de mar.

Ao chegarmos fomos recebidos quase que rispidamente, apesar de o fato de sermos aceitos para sentar, as 10 pm de um domingo já é um bom sinal em quase qualquer cidade. O serviço foi sofrível tanto pela velocidade quanto pela atenção aos detalhes. Já no quesito simpatia eles ganharam muitos pontos, talvez essa seja uma coisa mais geral que neste restaurante, mas o senso de humor croata é uma mistura entre a auto crítica inglesa e o espirituosismo dos gênios do humor (sei que isso soa exagerado, mas a nossa experiência me permite o abuso). Com suas tiradas fantásticas o nosso garçom conseguiu ganhar a minha simpatia, apesar da sua apatia para nos servir, vcs podem imaginar isso?

Nós começamos pelos mexilhões locais que são proibidos, devido a sua caça que envolve explosões de corais, e levam as vezes 150 anos para chegarem ao tamanho ideal. Nós não sabíamos disso, mas nosso simpático garçom nos informou que aquilo que víamos passar eram “camarões”, no menu devido a seu status de ilegal. Eles estavam deliciosos, com um molho de cebola, alho, vinho branco e azeite (um capítulo a parte daqui), que traz a leveza do vinho branco com a acidez do alho e com a suavidade do azeite, provavelmente um dos mais leves e saborosos molhos que eu já comi, perfeito para um verão.

Meu prato principal foi peixe grelhado – que aqui vem a mesa e vc escolhe o seu peixe – com espinafre e batatas refogados no azeite. O peixe estava fresco e grelhados estava leve, mas nada marcante. O espinafre que preparado dessa maneira é um prato típico daqui estava suave e saboroso, tenho a impressão que isso da ainda mais pontos para o azeite de oliva daqui.

All in all a experiência foi boa, mas nada marcante que faça valer a pena uma viagem a Split, mas se vc estiver por aqui, talvez seja uma boa opção. Não sei se tenho que culpar o restaurante ou simplesmente a culinária.

Nostromos
Kraj Sv. Marije 10,
Split – Croácia
Tel: 091/405-6666

2**

Vila Kaliopa - Ambiente e bom humor.

Imagine sentar em um jardim para um almoço onde vc tem que mover sua mesa para furgir do sol por pelo menos 4 vezes (quando eu digo você, estou indicando que fomos nós literalmente que carregamos a mesa todas as vezes), estou descrevendo a pior experiência dos últimos tempos?! Pense de novo, não sei se é o mar azul turquesa, mas fiquei zen na Croacia

Fomos almoçar em Villa Kaliopa, na ilha de Vis, que fica ao oeste de Split, o restaurante fica no jardim de uma casa antiga, de frente para o mar, as mesas ficam entre árvores super exóticas, que não suficiente para nos proteger no sol, mas dão um charme todos especial ao local. Os vizinhos são construções de 1500, desde quando a ilha era dominada pelo Venezianos, com uma arquitetura singular.

Ao chegar fomos recebidos pelo dono, que nos contou o menu, uma vez que ele muda diariamente baseado com o que os pescadores locais entregaram. Optamos por um vinho da própria ilha, gelado e um prato de peixes marinados no azeite e alcaparras como entrada. Os peixes estavam todos gostosos, mas a sardinha se destacou como o mais saboroso, com uma textura esponjosa e um sabor leve que contrastava de forma perfeita com as alcaparras Além disso, claro que tínhamos uma belíssima cesta de pães e um azeite maravilhoso.

Após quatro mudanças de local da mesa, com muito bom humor, nosso prato principal chegou. Eu mais uma vez fiquei com o peixe grelhado, mas dessa vez pedi uma lula também. O acompanhamento foi o mesmo espinafre com batatas refogados no azeite. A lula estava muito boa, macia mas ao mesmo tempo firme, o gostinho de grelha podia ser sentido no after taste e combinava bem com o frescor das partes não tostadas da lula. O peixe estava super saboroso e leve. Acho que o principal diferencial da comida croata é o frescor de seus ingredientes no verão, não posso imaginar o que seria disso aqui no inverno.

Acredito que este não é uma restaurante que me faria delirar em nenhuma capital gastronômica do mundo, no entanto, em um pequena ilha na costa croata, ele me traz boas lembranças.

Vila Kaliopa
Vis – Croácia
Chegando na Ilha pergunte onde é, tenho certeza que vc vai achar.

2**

CPR - No Crítico Wannabe

Caros 3 leitores,

Eu resolvi que o meu espaçozinho tb tem seu valor. Resolvi então postar aqui e no Comensais simultaneamente, sendo que aqui devo aparecer com mais freqüência. Então para vc que gostam daqui, não precisam ir mais lá, a não ser que para se divertir com os textos dos outros autores.

Bem vindos de volta

A