Thursday, February 12, 2009

Kaá - Sabor, ambiente... mas o serviço!

Tem poucas cidades do mundo que comportam investimentos milionários em restaurantes, com certeza São Paulo está entre uma delas. Ao entrar no Kaá logo pensei: “Isso no Rio durava 6 meses, em Salvador nem abria”. O restaurante fica em uma discreta casa, com uma porta mais discreta ainda na movimentada Juscelino Kubicheck, de fora pensei mas que confusão que deve ser isso aí dentro, mas ao entrar me deparei com um oásis em São Paulo. Um enorme galpão de pé direito elevadíssimo, com um espelho d´agua enorme na entrada. Mas a estrela da decoração é a parede lateral direita que é inteiramente coberta por plantas, não eras ou coisas assim, plantas mesmo. O efeito é incrível uma sensação de aconchego e frescor que não posso imaginar uma decoração não verde possa dar, também não parei de pensar como eles molham aquelas plantas?

No meio do salão havia um bar e ao fundo a cozinha com janelões de vidro para vermos a movimentação. Depois de tanta descrição da decoração a pergunta natural é se a comida estava a altura e posso dizer que sim. Fomos sentados em uma mesa do lado oposto da parede verde e perto da cozinha, o atendimento me parecia um pouco apressado, imagino que a pressão para sentar todas as pessoas da fila era grande. No entanto, na hora da sobresas houve demora de mais de 30m minutos para um petit gateau, com certeza o serviço está muito aquém do ambiente.

Um dos sócios é o Paulo Barros, o famoso chef do Due Cuocchi (eu preciso voltar lá urgente para escrever aqui), mas o chef é um espanhol que fica sempre na cozinha.  Pedimos um prato de antepasto para acompanhar a cestinha de pães que estava uma delícia. Clássicos italianos, bem executados, pimentões marinados, mussarela de búfala com pesto leve, proscciuto bem cortado.

Meu prato foi uma costeleta de cordeiro com um spaguetini com manteiga e sálvia – absolutamente adoro essa cominação de manteiga e sálvia – a carne estava praticamente perfeita, tostadinha por fora e levemente rosada por dentro, sem aquele ranço que cordeiro tem em alguns lugares. A carne era simplesmente grelhada e macia, com um sabor aveludado, fazia um ótimo contraste com o gosto pontiagudo da sálvia, a massa estava no ponto certo al dente.

A sobremesa não chegou como já falei e os preços eram bem a lá São Paulo. Sem dúvidas o serviço poderia ser muito melhor, mas aquela costela de cordeiro entra na minha lista de favoritos desse prato e isso não se pode negar.

Kaá
Avenida
 Juscelino Kubitscheck, 279 
Itaim – São Paulo
Tel
 - 11 3045-0043

2**
$$$$

Thursday, February 05, 2009

Le Pré Catalan - Um francês como deve ser

Era meu aniversário e depois desse blog eu decidi que merecia uma comemoração digna de uma comensal. Tinha um bom tempo que eu não ia ao Le Pré Catalan, restaurante do chef Roland Vilard, que havia sido todo reformado. A reforma ficou sensacional, os móveis de madeira escura, quase preta, e estofado clarinho, sem tolhas de mesa só com uma passadeira branca. As mesas e cadeiras arredondadas combinam com o formato da sala que tem o mesmo formato, beirando a janela com a linda vista da praia de Copacabana. Olhando para dentro todo o restaurante é coberto por leves cortinas brancas, que nos dá uma impressão de surpresa por trás, e de fato somos surpreendidos pela cozinha do Chef.

Cheguei sozinho e decidi que eu merecia um belíssimo jantar e pedi uma taça de champagne para começar minha noite. Na mesa uma cestinha com grissinis amanteigados que se desfaziam na boca e torradas com azeite de oliva ultra finas que estalavam na boca. Resolvemos que fazer as escolhas no menu seria muito doloroso porque não pedir e Menu Confiance e deixar o chef nos impressionar com 10 pratos?

Antes de começar nos foi oferecida uma seleção de pães todos quentinhos e maravilhosos, meu preferido, nozes com passas. O primeiro prato foi um mini gaspacho, com um cherne envolto em um cream fraiche, estava gostoso, com bons contrastes e salgadinha; havia um outro pratinho que era um cogumelo com farofa de anchovas, incrível, levemente amanteigada e crocante faziam um belo par com o cogumelo cozido no ponto certo.

A salada de lagostim com uma levíssima maionese de ervas e massa philos crocante e sequinha, sob pequenos cubinhos de aipo, pimentões e tomates estava espetacular. O lagostim estava no ponto certo, e contrastava bem com a massa crocante enquanto os pequenos cubos davam o frescor enquanto quase que estalavam na sua boca. Seguindo esse prato nos foi servido uma costela de tambaqui, peixe de rio do norte, com molho de tomilho fresco e um purê de barôa defumada, o peixe estava macio e levinho, com um molho que dava toque de ervas para aquela carne firme. O purê, ou seria um mousse, talvez um souflê, era tão macia, quase com textura de algodão doce, e um gostinho defumado distante.

Em um restaurante tão francês, o Foie Gras não podia deixar de ser a grande estrela da noite. A trilogia de foie gras, trazia ele fresco – não tem como errar – com uma geléia de figos e brioches, eu gosto mais com geléias mais doces, mas estava sensacional. Um ravióli de foie gras com alho poro, massa perfeita, profundo pela gordura do foie como pelo tempo de cozimento daquele caldo do alho poro. E por fim ele selado sobre uma tortinha de maça, que estava espetacular, o foie gras é macio, quase viscoso, que contrasta com a maça levemente cozida, sua gordura com a refrescância da maça. Neste ponto já estávamos tomando um belíssimo e honestíssimo St. Emilion 2003.

Para limpar o paladar e uma granita de frutas vermelhas e champagne, simplesmente o que vc precisa para tirar da sua boca o sabor persistente do Foie Gras. Entramos nas carnes empolgados, primeiro veio uma vitela, com molho do próprio cozimento e legumes, a carne poderia estar um pouco menos passada, mas seu molho era balanceado e os legumes estavam ainda levemente crocantes e faziam uma combinação muito boa. Depois chegou uma palheta de cordeiro, no ponto certo com batatas em cubos, ainda meio durinhas com um levíssimo molho branco, o prato era simplesmente uma boa execução, mas nada de surpreendente.

Até esse momento o serviço me parecia uma sinfonia perfeita! Tudo estava sincronizado, mas parece que fomos esquecidos e o prato mais simples que seguia, uma  combinação de queijos demorou mais de 20 minutos, inadimissível em um jantar como esse. Mas eu perdôo até isso. O prato de queijos era formado por pequenos pedaços de queijos de verdade - nada dos tipo brie - o chevre estava especialmente bom, com mais pães fresquinhos. O nosso Sauternes combinava perfeitamente com os queijos e preparava nosso paladar para os doces.

Para sobremesa começamos com umas provinhas do carrinho do chef de patisserrie, que sinceramente deveria abrir uma loja em separado para vender as delicias deles. Provei os ovos nevados, que estavam aerados e leves como devem ser. Um suspiro/macarron com um leve creme de nozes dentro era inacreditável, a cada mordida ele se desfazia na boca deixando o sabor forte das nozes sem excesso nenhum de açúcar.  Segundos os chocóltras na mesa a mouse de chocolate também estava um sonho.

A sobremesa de verdade era um profiteroles, com uma calda de chocolate que eu não provei. Para mim uma seleção de sorbets, todos refrescantes e naturais: cupuaçu, graviola, tamarindo, manga e mangaba. Acompanhado de Madeleines muito boas. No café ainda fomos agraciados com uma mini torta de limão com massa se esfarelando e um creme perfeitamente acido. Na hora de ir embora, umas caixinhas com dois macarrons. Eu que era aniversariante e ainda ganhei em uma linda caixa uma torta do chef de pâtisserie, adoro esses mimos.

A refeição não é nada barata, mas para ocasiões especiais acho que vale a pena. Este é um programa para os apreciadores de uma boa culinária francesa, com alguma influência de ingredientes nacionais e execução quase sem falhas. Dito isto, não há nada de muito surpreendente, apesar de muito bom.

Le Pré Catalan
Hotel Sofitel – Avenida Atlântica ,4240
Copacabana – Rio de Janeiro
Tel – 21 - 2525-1160

3***
$$$$

Tordesilhas - Pedacinhos do Brasil em São Paulo

Existem lugares que te transportam, fazem vc sentir que vc não está mais onde vc estava a 10 minutos atrás. Encontrei em São Paulo um lugar assim, o restaurante Tordesilhas te tira do meio da confusão da Avenida Paulista, e te faz sentir como se vc estivesse no Nordeste, ou quem sabe no norte! Fica em uma casinha com cara de cidade pequena – que estranhamente São Paulo tem várias – com uma decoração simples, com motivos regionais.

A comida é completamente focada nos produtos brasileiros, 100%. Tem pratos típicos sem tirar nem por, assim como os pratos que a chef, usa os ingredientes, mas faz alguma releitura. Para começar pedimos queijo coalho com melaço, estava completamente crocante e queimadinho por fora e macio por dentro, com gosto de praia. Também pedimos uma lula sob purê de banana da terra, que estava com uma textura macia envolto em um leve molho de tomates fresco e deitado sob um creme leve de banana, era cremoso e macio, mas sem o excesso de gosto de banana. Quase como uma pintura renascentista de uma mulher sob uma cama forrada de colchas de veludo.

Para principal resolvi testar uma das receitas tradicionais, pedi o pato no tucupí (olha ele aqui de novo!) com farofa de água. O pato estava cozido no ponto certo, com a carne se desfazendo e soltando do osso. O molho era mais forte que lembrava, com doses ácidas e agudas, talvez levemente amargas que balanceavam com o pato. A farofa estava um pouco dura de mais, mesmo molhando com o molho.

O resto da mesa pediu muito bem, destaque para o badejo grelhado com molho de moqueca, caruru e arroz. O badejo simples e bem feito, com o caldo da moqueca estava perfeito, um perfume sem ser dominante, me senti na Bahia. O guizado de carne seca em cubinhos com pirão de aipim estava também muito bom, pirão cremoso, leve e o guizado muito saboroso. Os pratos era enormes e poderíamos até ter dividido.  O serviço foi levemente ruim, tínhamos que chamar atenção do garçom várias vezes.  Ao sair de lá fiquei com a sensação que tinha que voltar para experimentar de novo outros pratos, existe indicação melhor?!

Tordesilhas
R. Bela Cintra, 465
São Paulo – SP
Tel -11- 3107-7444

3***
$$$

Friday, January 30, 2009

Adega do Pimenta - Comida Alemã em local tipicamente carioca

Estou cada vez mais convencido do valor da baixa gastronomia, acho que podemos comer coisas tão surpreendente em botecos e afins como em um super restaurante. O importante é saber harmonizar sabores e texturas, e isso muitas pessoas já nascem sabendo. Quando combinamos essa simplicidade com prato típicos de outros países a coisa vai ficando mais complicada. No entanto, a Adega do Pimenta em Santa Teresa consegue entregar tudo em um só pacote.

O restaurante fica em uma pequena casa na Almirante Alexandrino, com decoração que pode ser qualificada como um quebra cabeça de quinquilharias que lembrem cerveja ou Alemanha e o que não está coberto, uma madeira envernizada mais de 15 vezes sem ter sido passado uma lixa. O restaurante não tem ar condicionado o que em um dia quente ou pode ficar fora da sua lista ou pode ser uma desculpa para beber o delicioso chopp nas canecas de porcelana.

Para começar pedimos as salsichas caseiras e croquetes de carne, a selação de salsichas estava uma delícia, com a vienense sendo o destaque, macia com um leve sabor de fumaça que caia super bem com a mostrada forte da casa. O croquete estava sequinho por fora e muito cremoso por dentro, um achado.

Pedimos nesse dia o Eisbein, quer dizer pedimos no dia anterior, esse prato típico alemão, que é um joelho de porco assado tem que ser pedido com 24 horas de antecedência e tem que ser para grupos grandes. Ele é assado por horas antes de ser servido, o tamanho do joelho é inacreditável. O nosso serviu com fartura 12 pessoas, não posso imaginar o tamanho do porco que era dono do joelho, ele deveria ser quase do tamanho de uma vaca.

O joelho é marinado e temperado com pimenta do reino e manjerona, que foram uma crosta sobre a pele do porco e carne que fica sequinha e crocante. A carne do joelho fica mais macia que o porco normal, e o tempero dele é incrível tem um gosto de terra do excesso da pimenta do reino e um ardor meio que distante, a carne está ainda bem úmida, acho que pelo modo de preparo. Já a Mangerona deixa uma pista de amargor que completa a quase doçura da carne de porco.

O serviço era cordenado por um garçom mal humorado mas eficiente que nos sugeriu os acompanhamentos de couve flor, repolho roxo e batatas coradas, nenhum merece especial destaque. Além disso, ainda pedimos uma salada de batatas que estava boa, com pedaços ainda firmes e uma maionese bem leve, perfeita com a mostarda. A experiência precisa de programação mas vale a pena para experimentar algo completamente diferente.  

Adega do Pimenta
Rua Almirante Alexandrino, 296
Santa Teresa – Rio de Janeiro
TEL: - 21 -2224-7554

2**
$$

Thursday, January 29, 2009

Top 5 Drinks

1 – Belvedere Vodka Martini, with a twist!

2 – Caipirinha de Nega Fulô de caju e tangerina.

3 – Caipivodka de Morango do Soho na Bahia.

4 – Mojito, bem feito, o melhor até hoje Bodeguita Del Médio, Mexico.

5 – Porto Tônica, com vinho do Porto Branco. 

ps: mais uma vez sem ordem!


E o de vcs!?

Wednesday, January 28, 2009

Shin Miura - Good old classic

O centro do Rio de Janeiro é pavoroso em muitos sentidos, mas em meio a todo o caos dos camêlos, milhões de pessoas andando apressadas e do calor desumano do Rio de Janeiro existem tesouros gastronômicos, como o Bar Luiz, o Eça, o Gourmet by Celidônio e o Shin Miura. Sendo esse último um dos meus favoritos por aqui, este é um japonês bem tradicional, cheio de japoneses almoçando por lá, o que já é atestado de qualidade. A decoração assim como do Azumi, em Copacabana, é péssima, com mesas de granito, parede com calendários japoneses e serviços americanos de plástico do Saara – 25 de março carioca.

O serviço depois de muito freqüentar e reclamar se tornou bom, mas as primeiras vezes são sofridas. Mas tudo é compensado pelos pratos da casa. O menu é hibrido, tem os super clássicos japoneses, como aquelas sopas de macarrão e legumes, os sushis, os teppanyakis – coisas na chapa - até um menu degustação do super criativo Nao Nara que faz inveja a qualquer restaurante contemporâneo. O chefe Nao acabou de abrir seu próprio restaurante no Fashion Mall, vizinho da CT Brasserie, com esse menu mais moderno e mais caro, obviamente.

Eu já experimentei muitas coisas lá, mas o Teppanyaki de Lula é um dos meus favoritos, é uma lula levemente empanada, provavelmente só com farinha de trigo, passada nessa chapa com legumes na chapa e arroz. A lula vem sequinha e macia, a parte de dentro ainda tem uma textura ainda mais macia, quase que cremosa. Os legumes são crocantes ainda, mas ao menos tempo não são mais crus, acho que o calor elevador e a velocidade de contato conseguem isso. O arroz é grudadinho e tem aquele gosto agudo que o arroz japonês tem, dada a alga que eles conzinha junto.

Os sushis de lá também são bem gostosos, cortes preciso e com sahimis gordos, como falei o arroz é muito bom e os rolls são firmes. Os invencionismos ali se limitam ao hot philadelphia e um califórnia de morango. Além disso, só sushi bom e simples. Os pratos da degustação são uma história completamente diferente, coisa como magret de cannard com calda de framboesa e coulies de brie, todos que eu provei até hoje eram muito bons, mas é uma brincadeira cara (R$ 77 reais por uma degustação de 4 pratos) que não combina com o almoço no centro corrido. Não posso esperar para jantar no Nao, no Fashion Mall esses pratos.

Shin Miura
Avenida Rio Branco ,156 - 3º andar,
loja 324 e 325 (Edifício Avenida Central)
Rio de Janeiro
Tel - 21-2262-3043

3***
$$

Líquido - Frescor em Ipanema

Existem restaurantes que são pontos de almoço em dia de sol, se é que vcs me entendem. Sábado fui conhecer mais um desses lugares, o Líquido, que fica em uma simpática varanda, debruçada sobre a Praça Nossa Senhora da Paz em Ipanema. O restaurante é pequeno e completamente aberto, que o torna ainda mais um programa pós praia, no Rio de Janeiro. O cardápio é recheado de opções mais saudáveis e leves que o normal.

Para beber eu fiquei com um chá verde gelado, com gelo de limão. Estava muito gostoso e o chá é fresco que o faz ser mais leves que os industrializados, além de vir em um gadget super interessante, com o qual vc mesmo mistura o chá com o gelo. Além disso, tinha uma seleção interessante de smoothies que tinha uma cara ótima, mas vai ficar para a próxima visita. Para entrada pedimos um ceviche, prato típico do peru – peixe fresco cozido no suco de limão com um leve vinagrete. Estava delicioso, perfeito para o dia de verão, fresco com o azedo do limão, a crocância das cebolas bem pequenas, com a textura híbrida do peixe entre o cru e o levemente cozido. Eu adoro esse prato e o de lá estava de fato bom.

Para prato principal eu pedi uma Dosas, um crepe indiano de massa leve, meu recheio era salada verde, tomates, frango, mozarela de búfala e creme de queijo. Achei um pouco sem sal, sem contar que era muito grande e os ingredientes estavam quase que compartimentados, então ou comia a salada ou o frango com o creme. O creme era um pouco excessivo e definitivamente não tinha muito gosto.

Os doces estavam com uma cara apetitosa, mas optamos por ficar só com isso. O serviço foi desatencioso e para a quantidade de garçons inadmissível. Tivemos que chamar a atenção dos garçons mais de 4 vezes. Além desses crepes o menu tem pratos que pareciam interessantes, vou voltar para dar mais uma chance apesar de ter achado o meu principal fraco, quem sabe um smoothie e um ceviche em um pós praia!

Líquido
R. Barão da Torre, 398 A,
Ipanema – Rio de Janeiro
TEL – 21 - 2267-6519.

2**
$$

Friday, January 23, 2009

Boteco Casual - Tesouso no centro do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro tem uns lugares que são a sua cara, displicentes, confusos e deliciosos como a cidade é. O boteco Casual no centro do Rio de Janeiro é provavelmente a síntese do Rio de Janeiro, boa comida, ambiente caótico e completamente displicente. Eu fui em um almoço desses de trabalho corridos,  o que muda muito o seu nível de expectativas, imagino que se tivesse mais tempo, não me arrependeria também.

O Casual fica em uma casa antiga no centro do Rio de Janeiro, na Rua do Ouvidor, onde não se passa carros, é uma rua que poderia ser muito mais charmosa se bem conservada, porém, esse desleixo só torna o local muito mais carioca. Com poucas mesas, sugiro que se tenha paciência nos dias concorridos, que depende dos pratos do dia, uma vez que os pratos do cardápio normal demoram muito e torna o almoço um processo não sugerido nem pelo próprio garçom para os apressados.  

Ficamos em uma mesa na rua, que é calçada e no meio do movimento da rua, poderia haver algo mais displicente que isso? Eu pedi um peixe vermelho, levemente empanado, com molho de cenoura, arroz de brócolis e batatas ao murro. O peixe estava no ponto certo, levinho e apesar de frito, sem excesso de gordura, o molho de cenoura levava mais alguma coisa, talvez uma mostarda escura e tinha uma profundidade gostosa. As batatas estavam bem executadas, macias e com um gosto leve do azeite na casca, o arroz com aquele gosto de tempero caseiro completava o prato super honesto e com excelente custo benefício.

Mas o grande destaque veio na sobremesa, pedimos os pastéis de Belém, ou de nata – como vc preferir. Eles chegaram quentinhos na mesa, polvilhados com um pouco de açúcar e canela, a massa era folhada sem excesso de manteiga e levemente crocante, mas aquela crocância de massas delicadas que o toque da língua fazem ela se desfazer. O recheio um creme meloso, aveludado e levemente morno, uma dentada enchia a sua boca com este até a massa estalar na sua boca, perfeição simples na combinação de texturas.

O serviço é levemente desatenciosos mas para um almoço rápido está dentro do esperado, no final das contas, é um programa carioca e ser marrento é parte do show. A conta foi módicos R$20 , para uma refeição acima da média, de fato um achado.

Boteco Casual
Rua do Ouvidor, 33
Tel – 21-2232-0250

2**
$

Ps: pela sobremesa só seria 3***

Monday, January 19, 2009

Di Liana - Gosto de infância que continua bom.

Tenho muitas lembranças de comer da minha infância, mas poucas são tão vivas como a do Di Liana, que ficava perto do aeroporto de Salvador. O restaurante ficava em uma casa no meio de um jardim, com espaço para mesas grandes e longos almoços de família. Nos fundos da casa eles tinham um viveiro de aves, incluindo um lindo pavão, tenho lembranças perfeitas de quão chato era ficar sentado na mesa e quão legal era ir ver os bichos – quem diria que hoje eu ia gostar tanto de ficar na mesa.

O Di Liana de hoje não é mais nessa casa bucólica, fechou há pouco tempo, mas não deixou salvador órfã de boa comida italiana. Eles abriram agora em Ondina, em uma ruazinha simpática, em uma outra casa, com cara de casa de alguém. Fui em um domingo a noite e estava um pouco vazio, mas a parte dos fundos que tem mesas ao ar livre e um pátio para eventos me pareceram uma ótima pedida.

O couvert de lá é ótimo, com pão caseiro e rústico, com a massa pesada e com pedaços de calabresa leves. De entrada dessa vez pedimos uma muzzarela de búfala, com molho ao pesto, simples e bem executado o pesto era saboroso, sem o excesso de óleo que as vezes é comum e combinava bem com as mozarelas.  

Nesta noite eu pedi algo mais leve: um filé grelhado com uma salada da casa, que é uma verde com tomates, mozarela de búfala e passas brancas. A carne estava muito bem executada no ponto certo e com leve gosto de grelha, que é levemente adocicado. A salada apesar de simples tinha o toque das uvas passas brancas que adicionou um twist interessante, dados que estas não são tão doces. A salada ceaser com frango defumado também estava com uma cara ótima e me pareceu uma ótima inovação a clássica. Um único se não é o queijo parmesão que estava um pouco ressacado, talvez tivesse sido ralado com muita antecedência.

Meu prato preferido para comer, sem culpa, lá é o filé a parmegiana, que é quase que caseiro, e esta é a maior qualidade do Di Liana. Molho de tomate delicioso, leve e aveludado que cobre o filé a milanesa e o queijo derretido em cima. Uma sinfonia de sabores que tem total gosto de infância para mim. O serviço é muito atencioso, mas imagino que ele muito cheio possa piorar um pouco. Os preços são módicos comparados com as cantinas de São Paulo, uma excelente pedida em Salvador

Di Liana
Rua Macapá, 314
Salvador
Tel -71 3331-1266

2**
$$

Friday, January 16, 2009

Maní - displicência e criatividade

Desde que comecei a ler mais sobre comida e gastronomia tinha ouvido muito falar de um ingrediente chamado Tucupí, que é o caldo da mandioca brava que deixa sua boca levemente dormente depois de comer. No blog da Alexandra Forbes já tinha ouvido falar que no Maní tinha um prato sensacional de peixe com tucupí e fui experimentar apesar da resistência de minhas companhias, que achavam o menu muito diferente.

O restaurante fica em uma simpática casa, simples, como uma sala principal e um jardim de inverno, além de uma parte dos fundos que tem duas grandes mesas que ficam a céu aberto e mesas na varanda. A decoração é bastante simples com cadeiras e mesas, com toalhas, brancas, paredes também brancas com estantes de livros, e um sofá para a espera, vc quase se sente em casa.

O menu é recheado de dois principais elementos: espumas e ingredientes bem brasileiros, como o Tucupí. Começamos com o couvert que inclui pães quentinhos, pizza branca e um pirulito de parmesão, além é claro de uma coalhada seca e um delicioso queijo de cabra no azeite, com pimenta rosa. De entrada pedimos um dos belisquetes (que tem várias opções, ideal para uma mesa grande de amigos), o bolinho de quinoa com geléia de tamarindo, que estava crocante e sequinho com o gosto de terra da quinoa, sem afetação, simplesmente o grão. A geléia era doce, mas nem tanto e combinava bem com o bolinho, muito bom.

Para meu prato principal fiquei com o prato eleito pelo caderno paladar como um dos melhores de 2008. Um peixe do dia – que neste era um robalo – cozido a baixa temperatura, cubinho de banana da terra, espuma de gengibre e caldo de tucupi. O peixe estava sublime, macio, molhadinho e com um gosto aveludado, a espuma tinha um gosto distante de gengibre que com o tucupi que tem um gosto de um caldo com leves notas mais agudas. Além disso, havia por cima “migalhas maní”, que era como se fosse uma farofa de pão amanteigado crocante, que completava a palheta de texturas, maciez do peixe, crocância da farofa, aerado da espuma e ternura das bananas da terra. Os sabores apesar de muitos ingredientes eram muito sutis e se balanceavam. No final, depois a boca fica levemente dormente, quase que como uma punição por ter comido uma coisa tão gostosa, a sensação é gostosa e faz a experiência ir além da comida em si.

Para sobremesa comemos o “café com leite da padoca”, uma suave mousse de café, com um sorvete de doce de leite e finíssimas torradas de pão, quase transparentes, fritas na manteiga. Mais uma vez texturas balanceadas, se eu tivesse uma crítica era ao sorvete de doce de leite, que estava fraco. A mesa ainda pediu um flan de chocolate africano 90%, em um simpático pote de geléia, charmoso e elogiado, apesar de não ser chocolate suficiente para as mulheres.

O serviço foi de altos e baixos, a hostess/maitre era incrivelmente simpática e solícita, com ótimas sugestões. As garçonetes era um pouco desatenciosas para os procedimentos naturais e foi preciso chamar atenção delas ao longo da noite algumas vezes, como para pedir para retirar os pratos e o menu de sobremesas, para mim isso é inadmissível. Apesar disso, a noite foi muito agradável com uma comida que me faz querer voltar.

Maní
Rua Joaquim Antunes, 210
São Paulo
Tel - 11 3085-4148

3***
$$$