Crítico Wannabe

O único lugar onde ser crítico e exigente é uma qualidade.

Thursday, October 22, 2009

Ulus 29 - Uma bela vista, com um bom restaurante

Istanbul é uma cidade feia, pronto falei! Mas uma cidade que dentro da sua feiúra, de prédios velhos e transito caótico, tem mesquitas incrivelmente bonitas e iluminadas a noite. Além disso, o rio que cruza a cidade cria uma sensação de amplitude muito bacana. Mas o mais importante, a cidade sabe tirar o melhor de si, aproveita as suas vistas, iluminas as suas pontes e mesquitas e transforma a ilha do governador do oriente médio (em honra de Sarkozy) uma cidade encantadora.

A comida turca é muito gostosa, mas o melhor restaurante que fomos lá é um de comida contemporânea, Ulus 29. Fica em um bairro quase que residencial que seu taxista turco irá te cobrar 5 vezes mais que ele cobraria de um local. Ao chegar ao local vc se depara com um salão over decorated, com um toque kitch. No entanto, isso é até vc ver a belíssima vista que temos do Rio Bósoforo e toda a cidade iluminada abaixo. A vista é realmente de tirar o fôlego, imagino que se o Vidigal não tivesse lá, o Rio poderia ter um restaurante como essa, só que com uma vista ainda mais bonita.

Para entrada eu optei por vieiras seladas com foir gras e uma leve mousse de wassabi. A combinação da viera com o foi gras é uma delicia, as texturas se contrastam e a profundidade do foie gras, com o sabor limpo da viera são imbatíveis para completar uma nota de wasabi. A execução estava boa, mas deixou a desejar. Para prato principal eu pedi o camarão pistola com molho apimentado de cebolinha e pimentões com torradas de Aioli, o camarão estava no ponto, e o molho era profundo e apimentado no ponto certo, mas até agora eu me pergunto o que aquela torrada estava fazendo ali.

O serviço foi amigável, apesar do pouco conhecimento do inglês para um restaurante desse nível. Além disso, a carta de vinho era cara, mas essa parece ser uma característica de toda a Turquia. No final as contas a comida é boa, mas a vista e ambiente são espetaculares.

Ulus 29
1 Kireçhane Sokak, Adnan Saygun Caddesi, Ulus Parkı
Ulus
Istanbul
Turquia
Tel: 90 212 265 6181

3***
$$$$

Monday, September 21, 2009

Ping Pong - gostinho de China cool chega em São Paulo

Quando estava de malas prontas para a China só pensava em o que iria comer, havia ouvido de várias pessoas que a comida era horrível e que não gostaria. No entanto, me lembrava com boas recordações de várias refeições em restaurantes chineses espalhados pelo mundo. Em Londres eu aprendi a delícia que pode ser uma refeição inteira de Dim Sums, que se aproxima de um guioza esteticamente, mas é completamente diferente na prática. Existe uma série de tipos, inclusive o rolinho primavera é um desses.

Em Londres eu fui iniciado ao hábito e acabei conhecendo a rede de restaurantes especializados nessa delícias, a Ping Pong. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que logo ali no Itaim, em frente a Cebicheria La Mar (assunto para outro post), havia aberto uma filial da mesma cadeia. O local me remeteu a Londres, com uma decoração super bonita e igualzinha a das filiais britânicas, mesas redondas comunitárias com bancos baixos, ou mesas de bar com badeiras mais altas, tudo preto, com uma parede de plantas – a versão pobrinha do Káa – no final do salão.

O cardápio está com os nomes ainda em inglês, mas com as explicações em português, divido em categorias entre os fritos, feitos no vapor, puffs (pão chinês recheado feito no vapor) e outras especialidades, bem didático para o público não acostumado. Cada pedido ver com 3 dim dums, então em uma mesa grande o ideal é pedir uma série de coisas para que se possa experimentar todos os sabores.

Pedimos algumas coisas, um delicioso rolinho harumaki de pato, com molho agridoce, que estava super crocante, com pouca gordura e com o gosto do pato marcante. Um ultra crocante de camarão, com macarrão frito por fora, dando uma aparência de ouriço. Pedimos um puff de vegetais, que achei um pouco massudo de mais, em comparação com os que já tinha experimentado, mas os vegetais que estava dentro eram deliciosos, talvez um pouco mais de recheio para balancear resolvesse parte do problema. Os dim sums no vapor que são os mais difíceis de executar foram os que mais deixaram a desejar. Normalmente é uma massa super delicada com uma explosão de sucos na primeira mordida, e por isso são pequenos e delicados. Os de lá eram tinham a massa um pouco grossa de mais, e sem os sucos que tornam a experiência tão mágica, o sabor estava bom, com um tempero leve.

Para sobremesa pedimos uma mousse de pistache, que estava bastante honesta. O serviço foi esforçado e simpático que é tudo que se pode pedir de um soft opening. Eu voltarei por vários motivos, mas principalmente a saudade de uma refeição só de Dim Sums.

Ping Pong
Rua Lopes Neto, 15, São Paulo
Tel. (11) 3078-5808

3***
$$$

Friday, September 18, 2009

L´Entrecôte - Paraíso dos indecisos, mas quase só deles!

Em São Paulo há um mês a traz houve um burburinho em torno da abertura do L´ Entrecôte, novo restaurante do Olivier Anquier, um ex chef televisivo, o barulho era menos pela sua fama, que pelo estilo do restaurante. Se você for uma pessoa indecisa este é o restaurante certo, só há uma opção, um entrecôte (contra filé?) com o molho da Tia dele e batatas fritas, apenas isso.

Para entrada uma salada verde com um delicioso molho vinagrete típico francês com um toque distante de mostarda, com amêndoas picadas por cima. Sem dúvidas de uma simplicidade ímpar, mas muito bem executado, o molho estava uma delícia e dava vontade de passar o pão para aproveitar o restinho.

O prato principal veio no ponto que eu havia pedido e a minha carne estava macia, já ouvi relatos menos elogiosos sobre a carne, o molho era realmente saboroso. Mais uma vez a mostarda aparecia, mas havia ali sucos da carne que complementavam com profundidade, encorpando sem maisena, simples e gostoso. A batata frita é sequinha e gostosa, esta é supostamente servida ao longo da refeição. Acredito que como estava no horário de pico houve alguma falha, pois faltou batata frita na minha mesa, em um restaurante que se propõe a ter uma proposta tão simples, não há espaço para erros.

A decoração do local é muito simpática, típica de bistrôs no Brasil, cadeiras levemente desconfortáveis de madeira, nesse caso vermelha, ladrilhos nas paredes e toalhas brancas. O salão é lotado de garçons mas infelizmente isso me faz lembrar que não estamos na França, onde há 5 vezes menos garçons e 10 vezes mais eficiência. Como experiência até que vale, até porque não é nada caro, mas infelizmente, está longe de ser um delírio gastronômico.

L´Entrecôte de Ma Tante
Rua Doutor Mário Ferraz, 17
São Paulo
Tel - 11 3034-5324

2**
$$

Thursday, September 17, 2009

Piantella - Um clássico que tem seu valor

Tem certos restaurantes que são clássicos, que se vc perguntar aos avôs mais tradicionais das cidades eles vão recomendar sem hesitação. No Rio de Janeiro, acho que esse título vai para o Antiquarius ou que sabe D´Amici. Já em Belo Horizonte , o Veccio Sogno cumpre esse papel. Em Brasília, esse título vai para o Piantella, antro dos políticos da capital, este restaurante é cercado de lendas e rumores sobre o que já foi decidido sobre o nosso futuro ali. Sem dúvidas o ambiente não é nada especial, mas é a aura que traz as pessoas.

O restaurante se propõe a ser um clássico italiano, com um cardápio amplo de opções de massa. O serviço é bastante cordial, mas imagino que com a casa cheia de poderosos, a qualidade para os mortais possa cair, dada a falta de atenção em alguns momentos mesmo com o restaurante vazio. O courvet que nos foi servido era simples, com um pão baguete um pouco duro de mais, para um restaurante desse nível. Nos foi oferecido ainda uma muzzarela de búfala (?) no azeite, que estava dura de mais, talvez até dormida.

Para prato principal eu pedi um linguado com molho cítrico,e legumes cozidos em tirinhas. O peixe estava no ponto certo, molhado como devia ser, o molho era leve e tinha umas tirinhas da casca de frutas cítricas que acrescentam uma acidez leve a sutileza do sabor do peixe. Os legumes cortados em pequenas tiras, puxados no azeite estavam al dente. O prato era bastante sutil, vindo de um restaurante estilo avô, acabei surpreendido.

Não ousamos nas sobremesas, um dos defeitos de almoços corporativos, mas o café estava bem tirado com biscoitinhos delicados.

Piantella
Cls 202 Bl A s/n lj 34
Brasília - DF, 70232-515
Tel - 61 3224-9408

Brasília – DF

3***
$$$$

Monday, September 14, 2009

Zuu – Uma explosão de sabores, nem sempre é bom.

Atualmente quando ouço a descrição de um restaurante como contemporâneo, já fico um pouco ressabiado. Talvez eu esteja descobrindo o valor escondido nos clássico e na simplicidade, mas acho que na verdade os Chefs estão abusando deste conceito e extrapolando além da conta. Inicialmente essa cozinha era marcada por combinações de sabores inesperadas e mistura de influências, mas todo cuidado é pouco para não virar uma panacéia de ingredientes no prato.

Esta semana, estava de passagem pela nossa capital, que tem como referência gastronômica o Universal, da chef Mara Alcamin. Portanto, nada mais natural do que experimentar o seu restaurante mais refinado, o Zuu. A decoração é muito bonita, com um pé direito altíssimo e muito preto, que contrastava com as belas janelas de madeira veneziana, que abriam usando-se cordas rústicas que davam um toque mais natural a decoração padrão de um restaurante contemporâneo.

Logo que chegamos recebemos o courvet que tinha bolinhos de arroz com açafrão, fritos, que estavam um pouco frios de mais e com menos crocância que eu gostaria. Uma charmosa panelinhas de cobre com azeite, onde podíamos molhar uma foccacia, e uma mousse de queijo “brie” com uma geléia de damasco, que estava saborosa. O cardápio me parecia promissor, poucas opções, do tipo que vc fala ao garçom: “o Atum”; e ele entende o prato.

Ao iniciar a leitura me deparei com exatamente o que temia, uma explosão de ingredientes em cada prato. Acabei optando por uma combinação que já conhecia a muito tempo do Zuka, atum em crosta de gergelim e wassabi. No prato original, tínhamos um atum levemente selado e um purê de batatas com um toque do wassabi. Na versão que experimentei lá tínhamos um pedaço enorme de atum, que passou do ponto, deixando as bordas ressecadas, uma “mousseline” de barôa – que era um purê, devido a falta de leveza -, cogumelos refogados, uma combuca de mousse de wassabi e pimenta rosa. Até agora não sei o que os pobres dos cogumelos estavam fazendo ali, pois não adicionavam nada ao prato e sumiam diante do exagero de influências. Além do peixe, estar ressecado por fora, acredito que a montagem do prato com a mousse de wassabi complicava ainda mais a apreciação dos sabores, era simplesmente difícil entender como combinávamos os sabores em uma só garfada. Para completar também não entendi o que a pimenta rosa estava fazendo na mousse, uma vez que o seu sabor aromático muitas vezes apagava a sutileza do wassabi da mousse.

Decidimos por pular a sobremesa, e partimos para o café, que veio com gostosos biscoitinhos, pedacinhos de mini tortas e chocolates que estava gostoso. A carta de vinhos me pareceu muito mais cara do que deveria ser, mas com boas opções. Além disso, o serviço foi muito atencioso e rápido, um dos highligths do restaurante. O custo benefício não é exatamente espetacular, mas acho que eu gostaria de voltar lá, para experimentar mais alguma prato, porque tenho esperança que nem tudo seja uma “explosão de sabores”.

Zuu a.Z. d.Z.
Asa Sul, Quadra 210, Bloco C, Loja 38
Brasília – DF
Tel – 61 - 3244-1039

2**
$$$

Friday, September 11, 2009

Top 5 – Comidas que comi enquanto o blog estava morto.

1 – Hamburger do L`Atelier Joel Robuchon (HK e NYC)
2 – O peixe do Milos em Atenas, só com suco de limão.
3 – O pato laqueado do Made in China em Beijing
4 – A lasanha do Tappo Tratoria em São Paulo
5 – Os petiscos novos do Aconchego Carioca, no Rio de Janeiro.

Thursday, September 10, 2009

Capão - Uma viagem em todos os sentidos.

Viajar a Bahia é sempre uma viagem gastronômica. Dessa vez lá fui eu redescobrir a Chapada Diamantina. No meio do nada, literalmente, há uma vila, não mais do que isso, conhecida como Capão. Por algum motivo que me foge, meu avô recém aposentado resolveu construir uma casa nessa vila, que é dominada por hippies que envelheceram, mas ainda buscam os mesmos ideais. Que depois desse final de semana, se resumem para mim como paz de espírito e poucas obrigações.

A estrada de barro que leva 40 minutos a partir de Palmeiras, que por sua vez está à uma hora do aeroporto mais próximo, já deixa claro que o local é só para quem quer muito chegar, e que o progresso ainda está longe de querer, ou, nesse caso, de ser desejado por lá. O local tem um visual incrível e modéstia parte, o novo projeto do aposentado é uma casa com uma vista deslumbrante para um vale, que é rodeado por chapadas em ambos os lados, dando a sensação de estarmos navegando em um grande fjord de mar verde.

Ao retornar a uma típica casa de campo da Bahia sou lembrado das delícias da culinária típica. Como uma deliciosa carne seca, ensopada, com abóbora. O sal da carne é balanceado pela doçura da abóbora, completando isso com uma leve farofa douradinha e crocante, temos um clássico dos clássicos da Bahia, sabor de infância para todos os lados.

O ensopado de carneiro também traz uma carne macia que se desmancha no toque do garfo, mais uma vez com a onipresente farofa, enxuga o excesso de molho, que tem um gosto profundo, que segundo os especialistas de lá vem de “rechear a carne”. Também podíamos falar do requeijão, um queijo rústico e excepcionalmente gorduroso, que quando frito transforma o queijo na melhor maneira para encurtar sua trajetória para um enfarte.

A vila, ao contrário do que se pode imaginar, não tem restaurantes charmosos, com bossa de hippie. A vila é simplesmente hippie, mas tem uma interessante pizza de massa integral com cenoura em tirinhas, que quando coberta com um delicioso mel com pimenta, pode ser caracterizado como uma boa experiência gastronômica. O restaurante Canto das Fadas é provavelmente a melhor pedida se quiser charme e comida. Come-se boas massas e pratos italianos, principalmente quando comparamos com a competição local.

Como disse, as experiências são muitas, como o delicioso mel com pimenta – tudo orgânico claro – ou os morangos mais doces que já comi na minha vida, que não levaram nem uma gosta de agrotóxico. Mas nada se compara ao desespero alimentar na volta de uma viagem de 9 horas, que só pode ser saciado com comida de posto. Comi provavelmente a receita mais maligna para pessoas com problemas de coração e tensão alta – meu avô nesse caso – uma farofa de carne seca que estava gordurosa e mais salgada que minha boca podia agüentar, servida em um charmoso compartimento de quentinhas de papel alumínio. Nem sempre, uma experiência é uma de luxo e glamour.

No final das contas, o Capão é um lugar com muito potencial para gerar boas opções de comida orgânica com sabores diferentes, mas ainda está longe de ter uma cena gastronômica de balneário de inverno. No entanto, quando vc tem a sua casa e seus sabores de infância para revisitar, não é que vale a pena? Só precisamos de vôos para voltar!

Saturday, August 29, 2009

Roberta Sudbrac - A versão culinária dos violinos de Elenor Rigby dos Beatles

Nesses últimos meses distantes do blog eu voltei várias vezes a Roberta Sudbrack, que na minha modesta opinião, é o melhor do Rio de Janeiro. Não porque se come comida de qualidade, porque existem outras opções assim no Rio de Janeiro, mas poucas inovam com tanta freqüências e executam com tamanho primor, consistentemente, como a Roberta e sua equipe fazem. Além disso, o serviço é agradável e o ambiente super charmoso, a decoração da casinha laranja é simples, alinhada com o estilo da comida, lá a beleza da cozinha está na simplicidade dos sabores, misturados de forma magistral.

Havia algumas semanas e algumas trocas de tweets que eu só pensava em experimentar o tal dos managritos, a chef que é uma pessoa apaixonada, parecia ter achado uma nova paixão e a curiosidade me dominou. Vamos ao jantar completo. Um jantar lá começa sempre com um delicioso pão quentinho e manteiga simples e salgadinha, depois vamos aos gourgeres, versão francesa do pão de queijo que é aerado e cremoso com o sabor inconfundível do queijo, de forma mais delicada.

Para começar eu optei pelo tartare de abóbora, poderia ter repetido a maravilhosa broinha de milho com foie gras, mas aí está a graça de jantar lá, o tartare de abóbora que pode parecer menos nobre se sobressai em uma linda cumbuca preta, com pequenos quadrados, muito pequenos, que dão a abóbora uma textura durinhas, mas mastigável, com um leve molho com notas acidas, que contrastavam com a doçura natural da abóbora. Eventualmente vc comia uma semente torrada, que era sequinha e macia. Não tinha nada de mais, mas existia algo de poético em como os sabores e texturas se opunham.

Depois disso fomos impressionados por um lindo e suculento aspargos brancos, que tem uma textura um pouco diferente do normal, menos fibroso, mais macio, uma com uma calda de amendoim e um pouco de amendoim picado. O amendoim tem ma profundidade que normalmente dura na sua boca, mas com o aspargos isso era relativizado, criando mais uma delicia.

Passamos para um enrolado de lagostin, em uma lamina de chuchu com um caldo de lete de amendoim. Aqui de novo a “pegajosidade” do amendoim é o elemento que contrasta com o sabor afiado de um fruto de mar fresco, que por sua vez também está suavizado pelo chuchu, que envolve. Esse prato é um daqueles exepcionalmente simples, mas muito bom.

Chegou a hora das estrelas da noite, o raviole de mangaritos em 3 texturas, o badalado e sazonal ingrediente é um tubérculo pequeno com uma casca preta, que quando assada exala um cheiro de chocolate e café – não sou muito de sentir essas coisas em vinhos por exemplo, mas nesse caso é claro. O prato é um raviole de purê de mangaritos, pedacihos da casca torrada, e pequenas fatias dos mangaritos assadas salpicadas por cima. O sabor do mangarito é algo especial, tem as caracteristicas das grandes iguarias do mundo, no sabor uma riqueza de gordura própria que faz este durar na sua boca tempos depois de vc ter comido. O raviole sem molho apenas a manteiga que os mangaritos produzem estava divino, a combinação das texturas da casca, dele assado e do purê se balanceavam. Mas o impressionante é a capacidade de prencher sua boca de forma completa que o purê tem, como se vc estivesse entrando em uma jacuzzi em uma estação de esqui. Quando vc combinava isso com a casca, o sabor extremamente térreo desta trazia um contraste ao véu aveludado que era formado na sua boca. Tive o prazer de comer um segundo prato, graças a delicadeza da chef diante do meu encantamento, adoro esses mimos. A noite estava ganha, correto?

Ah não, isso é o melhor restaurante do Rio, não basta uma surpresa na noite ainda havia o prato principal uma barriga de porco com as batatas fritas de lá. A pele era sequinha, me lembrou muito o pato laqueado chinês, era crocante e quando vc cortava encontrava uma carne macia e profunda, com um sabor terno. Este foi um dos melhores porcos que eu já comi na minha vida. Imagino que a expressão orgamos múltiplos podia ser usada nesses último jantar, porque nada pode ser tão prazeroso assim. Eu estava absolutamente inebriado de tantos sabores e descobertas.

Ainda fomos presentados com um sorvete de banana manchadinha que era algo de transcendental, estava diante de mim o sabor do doce de banana mais caseiro que já comi, no entanto, sem o excesso de açúcar que os acompanha, apenas a doçura natural. O sorvete adquire uma textura mais densa, mas ainda há ali o frescor de um belíssimo sorvete de fruta. Quem disse que só de comida salgada se vive?

A sobremesa era uma creme de chocolate amargo, com uma pele de leite e pedacinhos de chocolate. Meu pai, que me acompanhou, e que é chocolatra em alto teor, gemeu! Ao final ele falou: “Tenho uma teoria política: O FHC se candidatou a reelicao por causa da chef”. O programa não é barato, that is for sure, mas para quem gosta de comida no Rio de Janeiro não há nada igual! Um jantar lá é como os violinos em Elenor Rigby dos Beatles, simplesmente emocionante.

Roberta Sudbrack

Av. Lineu de Paula Machado, 916

Jardim Botânico – Rio de Janeiro

Tel : 21- 3874-0139

4****

$$$$

Friday, August 28, 2009

Uma tentativa de volta!

Este blog estava morto, na verdade em coma profundo! Não é para dizer que eu não tive experiências gastronômicas maravilhosas. Eu fui no meu primeiro L´Atelier de Robouchon e comi o melhor hambúrguer da minha vida, ao ponto que levei um grupo de non foodies em HK para a minha segunda dose daquele tesouro. Mas esta ainda não tinha sido experiência suficiente para me inspirar novamente.

Na verdade também me faltou tempo. Depois de 10 dias na China – quem ainda agüenta me ouvir falar de China – eu poderia ter contado todas as novas descobertas gastronomias que eu fiz, como mil e uma maneiras de comer porco e legumes crocantes feitos na wok, ou finalmente a maravilha que são as frutas chinesa na sua pureza, sabor e simplicidade. Melhor ainda contar o desabor que foi comer o sea cucumber, provavelmente uma das piores coisas que eu já comi na minha vida, quem sabe um dia eu ainda escrevo sobre isso.

Eu poderia ter delirado pelo achado que o almoço do Jean George, que por míseros US$ 50, vc come como um rei e é tratado como um sheik. A sutileza dos sabores era encantadora, este se tornou o meu programa must do in NYC, porque é imbatível.

Eu poderia ter aclamado o fresco do peixe do Milos em Atenhas que era servido com limão apenas e sinceramente não precisava de mais nada. Poderia falar também da vista e comida do restaurante 216 em Oia, Santorini que me tirou o fôlego por alguns minutos. Mas se quisesse falar de comida grega ia ficar para a próxima década o post de ressurgimento.

Se dependesse então da comida guatemaca que tem feijões refritos no café da manhã, tacos no almoço, e croquetes no jantar eu teria ficado mais de uma década sem falar sobre comida. Obviamente é possível achar um restaurante típico bacana com sabores diferentes, mas a comida de lá estava longe de fazer suspirar.

Eu provavelmente deveria ter falado sobre o meu novo vício em SP, que é o tiramissu do Tappo Tratoria, que tem um balanceamento de sabores e texturas como eu nem sabia que tiramissu podia ter. Mas tudo de lá é bom, eu poderia passar alguns post – espero que o blog volte e que esses post venham – falando sobre a comida do Benny Novak do ICI e do Tappo.

Finalmente aqui na cidade maravilhosa poderia enaltecer as maravilhas que é ter um yoggoberry na sua quadra e quanto isso vai aumentar o seu consumo, poderia também passar muito tempo explicando porque vale a pena esperar aquela interminável fila do Venga, que parece não ter sentido, mas quando vc come o polvo com batatas vc entende porque.

Mas nada disso conseguiu me trazer de volta para cá, até que um dia, neste maldito vício maior, o twitter eu ouvi falar de mangaritos. A Chef Roberta Sudbrack estava pirando com eles, o Zubim Metha pediu para repetir a Cora Ronai escreveu uma crônica, eu tinha tido um dia glorioso, achei uma Cia e parti para lá..... o que eu achei, vcs já sabem..... sensacional.

Mas isso é assunto para um outro post!

Wednesday, April 29, 2009

Alfaia - In é ser simples!

Segundo a Alexandra Forbes, uma das blogueiras mais cools que conheço, está “in” coisas menos extravagantes, principalmente as com altíssimo custo benefício. Tempos de crise não são nada fáceis para os perdulários. Juntei isso a dica de um amigo, que sempre respeito, que é obviamente a definição de understatement – há algo mais cool que isso? Descobri um dos melhores restaurantes portugueses: ali no meio de Copacabana.

O Alfaia é um desses clássicos cariocas, onde a decoração é cafona e conta com prateleiras de madeira e vinhos no roda teto. Os garçons são velhos conhecidos dos freqüentadores habitues e usam um terno branco alvo, com uma gravata preta! Há algo mais Rio de Janeiro anos 60 que isso? Os pratos são servidos em baixela de inox e as mesas são forradas com uma toalha branca, meio desgastada por cima de uma colorida.

Para começar pedimos um bolinho de bacalhau, que chegou quentinho e dourado, por dentro muito bacalhau uma textura perfeita. Para comer dentre as muitas opções ficamos com o bacalhau ao murro. Duas lindas postas de bacalhau, levemente douradas, só com aquela crocância por fora. Para acompanhar: batatas ao murro que estava macias e levente puxadas no azeite, pimentões e cebolas grelhados, ambos com poucas áreas queimadinhas só para contrastar os sabores. A cebola era macia e docinha um verdadeiro sonho. Havia um molho de alho e azeite quente, mas não foi o meu favorito, a simplicidade do prato não pedia mais nada a não ser um fio de azeite.

Levamos os nosso vinhos que foram servidos com simpatia pelos garçons. Esses eram muito atenciosos e ágeis, coisa pouco comum aqui no Rio. A dose foi tão boa, que repeti na semana seguinte, pedi o mesmo prato, para ver se era verdade. Ainda bem que sim! Até porque em tempos de crise....

Alfaia
Rua Inhangá ,30 - loja B
Copacabana – Rio de Janeiro
Tel – 21 -2236-1222

3***
$$