Thursday, May 29, 2008

Post de um outro blog – Marcelo Katsuki

Olha o post do Blog do Marcelo Katsuki (http://marcelokatsuki.folha.blog.uol.com.br/) de hoje. Não que eu me ache um crítico, mas eu gostei da parte onde ele diz que se forma um crítico comendo.


 

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O poder da crítica gastronômica



 

[O crítico Rafael García Santos lê sua palestra]



A nata da gastronomia paulistana acabou de se reunir no Campus Vila Olímpia da Anhembi Morumbi para assistir a uma palestra do crítico gastronômico espanhol Rafael García Santos. Chefs, jornalistas e estudantes lotaram o auditório para ouvir considerações polêmicas e algumas até inusitadas sobre o trabalho do crítico. Embora voltadas para a realidade de seu trabalho na Europa, muitas colocações foram bastante reflexivas, para não dizer contundentes!

Para García Santos, a função do crítico é informar sobre a comida, o serviço, o vinho de uma casa. A crítica reflete a sociedade, onde segundo o palestrante, "há muito mais mentiras do que verdades além de imperar a mediocridade". Deve ter também a função de estimular a competitividade e a superação por parte dos chefs. Mas admitiu que às vezes os críticos também se enganam.




 

[Guta Chaves, Suzana Barelli (Menu), Luiz Américo Camargo (Paladar/Estado de S.Paulo), Arnaldo Lorençato (Veja), Carlos Alberto Dória (Trópico), Ricardo Maranhão, Josimar Melo (Basilico/Folha de S.Paulo) e Ricardo Castilho (Prazeres da Mesa). A mesa redonda contou ainda com os chefs Alex Atala e Carla Pernambuco, Patricia Ferraz (revista Gula) e Rafael Barros, professor da Anhembi Morumbi]



O grande desafio da crítica é conquistar a credibilidade do leitor, já que segundo García Santos, "há muito coleguismo no meio". Para ele, o ideal seria que o crítico fosse um capitalista auto-provedor, que não estivesse vinculado a nenhuma empresa e nem recebesse por esse trabalho. Porém trata-se de um trabalho caríssimo que dificilmente sobreviveria pela auto-sustentabilidade. Os jornalistas de vinhos também foram duramente criticados, pois segundo García Santos eles "escrevem apenas para os donos das vinícolas, para gerar notas para publicidade".

García Santos é um grande entusiasta da cozinha de vanguarda mas atesta que apesar do sucesso na mídia, muitas vezes esses locais não conseguem sucesso junto ao público.

Sobre o seu trabalho, disse que "gosta muito de criticar, que nasceu para criticar". Visita mais de 400 restaurantes por ano e disse que seu ideal de vida é ser feliz, falar o que pensa e ganhar algum dinheiro: "É o bastante". Quando perguntado pela editora da revista Menu, Suzana Barelli, como se forma um crítico de gastronomia, foi taxativo: "Comendo!" A platéia riu.




 

[O público que lotou o auditório da Anhembi Morumbi]



O evento foi realizado por Joana Munné e Fernanda Cunha da Sibaris Serviços Gastronômicos com apoio de Rosa Moraes, diretora da Escola de Turismo e Hospitalidade da Universidade Anhembi Morumbi. Grande evento!